Crianças da Educação Infantil participam de atividades lúdicas com jogos de encaixe, blocos coloridos e materiais pedagógicos, em um ambiente escolar acolhedor e colaborativo.

A volta às aulas na Educação Infantil é um momento misto de emoções para os alunos e desafios para as professoras. Após o período de férias, muitas crianças retornam com expectativas elevadas, emoções intensas e diferentes níveis de ansiedade que, de certo modo, podem atrapalhar a readaptação à rotina escolar.

Mas, o que fazer para controlar essa situação? As atividades extras podem ser uma aliada estratégica e cumprir diferentes missões com os pequenos. Quando bem planejadas, é possível promover a integração, acolhimento e o desenvolvimento sem sobrecarregar a criança ou a equipe pedagógica.

Reunimos algumas dicas de atividades extras viáveis para a escola pública, com foco no acolhimento, no brincar e no desenvolvimento integral. Deixando claro que essas atividades não significam aulas formais ou antecipação de conteúdos, mas sim propostas lúdicas, experiências significativas e vivências que ampliam o repertório cultural, social e emocional das crianças.

Por que as atividades extras são importantes na Educação Infantil?

Na Educação Infantil, o brincar é a principal forma de aprendizagem. Atividades extras bem estruturadas ajudam as crianças a retomarem a rotina escolar de forma gradual, segura e prazerosa. Elas também favorecem a socialização, o desenvolvimento da autonomia e a expressão de sentimentos, especialmente no início do ano letivo.

No contexto da escola pública, essas atividades são ainda mais relevantes, pois muitas crianças têm no ambiente escolar o principal espaço de convivência, estímulo cultural e acesso a experiências diversas. Por isso, propostas simples, criativas e de baixo custo podem gerar impactos profundos no desenvolvimento infantil.

Atividades de acolhimento para os primeiros dias de aula

A volta às aulas exige atenção especial ao acolhimento. Atividades extras voltadas para esse momento ajudam a reduzir a ansiedade, fortalecer vínculos e criar um ambiente de confiança.

Rodas de conversa adaptadas à faixa etária são excelentes estratégias. Por meio de músicas, histórias ou objetos simbólicos, as crianças podem compartilhar como foram as férias, expressar sentimentos e ouvir os coleguinhas. Mesmo as crianças menores, que ainda não verbalizam com clareza, se beneficiam desse momento de escuta e interação.

Outra proposta eficaz é a criação de rituais de chegada, como músicas de boas-vindas, painéis coletivos ou pequenas dinâmicas diárias. Esses rituais trazem previsibilidade, segurança emocional e ajudam na organização da rotina.

Brincadeiras livres e dirigidas: equilíbrio necessário

As atividades extras não devem eliminar o tempo de brincadeira livre. Pelo contrário: elas devem qualificar esse tempo, oferecendo contextos variados para o brincar. Em escolas públicas, é possível organizar cantinhos temáticos com materiais simples, como blocos, materiais recicláveis, tecidos, livros, brinquedos de encaixe e jogos simbólicos. 

Já as brincadeiras dirigidas podem incluir jogos cantados, circuitos motores no pátio, brincadeiras tradicionais (como amarelinha, ciranda, pega-pega) e desafios cooperativos. Essas atividades favorecem o desenvolvimento motor, a coordenação, a noção de regras e a convivência.

Atividades artísticas como experiências extras

A arte é uma poderosa aliada no retorno às aulas. Atividades extras de expressão artística permitem que as crianças comuniquem emoções, criem narrativas e desenvolvam a imaginação.

Desenho livre, pintura com diferentes materiais, colagem, modelagem com massa caseira e exploração de sons e ritmos são propostas acessíveis e altamente significativas. Não é necessário focar no resultado final, mas no processo criativo e na experimentação. Também é possível utilizar materiais alternativos, como papelão, jornais, tampinhas, rótulos e embalagens. Isso amplia a criatividade e reforça a ideia de reaproveitamento e cuidado com o meio ambiente.

Crianças da Educação Infantil sentadas em roda participam de um momento de conversa e interação, sorrindo e ouvindo a professora em um ambiente escolar acolhedor.
Momentos de roda de conversa ajudam as crianças a expressar sentimentos, construir vínculos e retomar a convivência de forma segura e acolhedora nos primeiros dias de aula.

Contação de histórias e projetos de leitura

Atividades extras voltadas à leitura são essenciais na Educação Infantil, mesmo antes da alfabetização formal. A contação de histórias, feita de forma envolvente, contribui para o desenvolvimento da linguagem oral, da imaginação e da escuta atenta.

A escola pode organizar momentos extras de leitura ao ar livre, rodas de histórias, e até empréstimo de livros para casa, quando possível. Projetos como “o livro da semana” fortalecem a parceria com as famílias e ampliam o contato da criança com o universo literário.

Projetos de convivência e educação socioemocional

A volta às aulas também é um momento oportuno para desenvolver atividades extras voltadas à convivência, ao respeito e à empatia. Jogos cooperativos, histórias que abordam sentimentos, atividades em duplas ou em pequenos grupos ajudam as crianças a aprender a compartilhar, esperar a vez e resolver conflitos.

Essas propostas dialogam diretamente com os direitos de aprendizagem previstos na BNCC, especialmente nos campos relacionados ao “eu, o outro e o nós”. Para a escola pública, investir em atividades socioemocionais é investir em um ambiente escolar mais acolhedor e seguro.

Saiba como trabalhar o lúdico na sala de aula

Desde muito cedo, as crianças descobrem que o brincar é uma forma natural de aprender: elas imaginam, criam cenários, testam possibilidades e constroem hipóteses enquanto interagem com o mundo. Na volta às aulas, especialmente na Educação Infantil, esse potencial ganha ainda mais força quando a escola oferece propostas que respeitam o ritmo da criança e transformam o retorno à rotina em experiências significativas, acolhedoras e cheias de descobertas.

Mas, como trabalhar o lúdico em sala de aula? No episódio 9 do nosso Podcast Educação na Mesa, recebemos a Danielle Barros, Assessora Pedagógica do Sistema Etapa que trouxe a resposta para essa pergunta, além de outras dicas e reflexões sobre o tema. Para acessá-lo na íntegra, basta clicar no link abaixo:

 

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