Você sabia que o Brasil também participou da Segunda Guerra Mundial? Embora esse episódio nem sempre receba o destaque que merece, o Exército Brasileiro teve um papel relevante na campanha militar na Europa, especialmente na conquista do Monte Castelo, um ponto estratégico na luta contra as tropas do Eixo na Itália.
Para marcar os 81 anos desse importante feito, vamos revisitar a atuação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em território italiano, compreender sua importância para o avanço aliado e refletir sobre por que esse tema deve ocupar um espaço maior em sala de aula.
O que motivou a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial
A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial não ocorreu desde o início do conflito. Nos primeiros anos, o país adotou uma posição de neutralidade, buscando equilibrar suas relações internacionais em um cenário de grande instabilidade política e econômica. No entanto, esse posicionamento começou a mudar ao longo da década de 1940, à medida que o conflito se intensificava.
Em 1942, o governo de Getúlio Vargas firmou um acordo com os Estados Unidos que previa o fornecimento de matérias-primas estratégicas, como borracha e minérios, além da cessão de bases militares no Nordeste brasileiro. Em troca, os americanos investiram recursos significativos na industrialização do Brasil, possibilitando a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, e fornecendo armamentos e equipamentos militares.
A reação dos países do Eixo e o caminho para a entrada do Brasil na guerra
Os acordos firmados entre o Brasil e os Estados Unidos não foram bem recebidos pelos países do Eixo, especialmente pela Alemanha. Como forma de retaliação, submarinos alemães passaram a atacar embarcações brasileiras que navegavam pelo litoral do país. Em apenas três dias, cinco navios mercantes foram afundados, resultando na morte de mais de 600 pessoas, entre tripulantes e passageiros civis.
Esses ataques se estenderam por cerca de seis meses, totalizando o afundamento de 36 navios brasileiros, com mais de mil mortos e um número semelhante de sobreviventes. O episódio causou forte comoção nacional, sobretudo em agosto de 1942, quando corpos de vítimas chegaram a praias do Nordeste, como as de Aracaju.
Após o ocorrido, milhares de pessoas foram às ruas no Rio de Janeiro exigindo que o governo tomasse uma atitude. Diante da pressão popular e da gravidade dos acontecimentos, o governo brasileiro declarou guerra à Alemanha e aos demais países do Eixo, marcando oficialmente a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
O envio da Força Expedicionária Brasileira à Itália
Mesmo após declarar guerra aos países do Eixo, o Brasil ainda precisou de um período de preparação para organizar e enviar suas tropas ao continente europeu. Esse intervalo foi tão marcante que, entre a população, tornou-se popular a expressão: “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”, usada para demonstrar a descrença de que o país realmente participaria do conflito. De forma simbólica, essa frase foi incorporada à identidade da recém-criada Força Expedicionária Brasileira (FEB), que adotou como emblema uma cobra fumando um cachimbo.
Após o processo de mobilização e treinamento, em julho de 1944, o governo brasileiro iniciou o envio de suas tropas para a Itália. Ao todo, mais de 25 mil soldados atravessaram o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo em uma viagem de navio que durou cerca de duas semanas. A chegada da FEB à Europa marcou o início da participação direta do Brasil nos combates da Segunda Guerra Mundial, inserindo o país de forma concreta no cenário do conflito internacional.

Monte Castelo: a missão mais desafiadora da FEB na campanha da Itália
Ao longo de sua atuação na Itália, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) cumpriu diversas missões. Entre elas, a mais simbólica e desafiadora foi a tomada do Monte Castelo, colina estratégica que integrava a chamada Linha Gótica: sistema defensivo construído pelo exército alemão no norte da Itália para conter o avanço das tropas Aliadas. O controle dessa região era considerado fundamental para o andamento das operações militares.
A conquista do Monte Castelo permitia maior domínio da região dos Apeninos, especialmente do acesso à cidade de Bolonha, e contribuía para enfraquecer a resistência inimiga em um momento em que a guerra se aproximava de seu desfecho. Por isso, a posição era fortemente defendida e representava um obstáculo significativo para o avanço aliado.
Durante as tentativas de conquista, os pracinhas (como eram chamados os soldados brasileiros) enfrentaram inúmeras dificuldades. Entre elas, destacava-se a falta de vestimentas adequadas para o rigoroso inverno europeu. Além disso, os uniformes brasileiros, de tonalidade oliva, podiam ser confundidos com os usados pelas tropas alemãs, o que levou à adoção de jaquetas caqui, fornecidas pelo exército norte-americano, como medida de identificação e segurança.
Somavam-se a esses desafios as limitações de preparo inicial. Muitos soldados da FEB não haviam recebido treinamento específico para o combate em terreno montanhoso, característico daquela região, nem estavam plenamente familiarizados com parte do armamento moderno disponibilizado pelos Aliados. Esses fatores ajudam a compreender a complexidade da missão e o contexto em que a atuação brasileira se desenvolveu.
A persistência como fator-chave para a vitória
Foram necessárias quatro ofensivas, ao longo de quase seis meses, para que as tropas brasileiras alcançassem a vitória. A conquista definitiva ocorreu em 21 de fevereiro de 1945, quando a FEB atuou de forma integrada às tropas norte-americanas durante a Operação Encore, uma ofensiva conjunta dos Aliados no norte da Itália.
Com planejamento mais cuidadoso, apoio efetivo da artilharia aliada e o aprendizado acumulado nas tentativas anteriores, os pracinhas conseguiram superar as defesas alemãs e tomar o Monte Castelo. A conquista teve grande importância estratégica, pois abriu caminho para o avanço aliado no norte da Itália, e também teve forte impacto simbólico, consolidando o reconhecimento internacional da FEB e reafirmando o papel do Brasil neste importante momento da história mundial.
Como trabalhar este fato histórico em sala de aula
O episódio da conquista do Monte Castelo pode ser trabalhado em sala de aula como uma forma de ampliar a compreensão dos alunos sobre o papel do Brasil em acontecimentos globais. Ao abordar este tema, o professor pode contextualizar o país na década de 1940, discutir as motivações geopolíticas da época e, acima de tudo, destacar que a História não é feita apenas pelas grandes potências.
Essa abordagem contribui para desenvolver o pensamento crítico e ajuda os alunos a compreenderem as complexidades das relações internacionais, além de valorizar a memória nacional, o que promove o sentimento de pertencimento.
Atividades como análise de fontes históricas (fotos, cartas de pracinhas e jornais da época), debates, produções textuais ou linhas do tempo ajudam os alunos a perceberem que a História é resultado de processos, escolhas e esforços coletivos.

