A volta às aulas é um momento de reorganização da rotina das famílias. Horários mais cedo, deslocamentos, adaptação ao ritmo escolar e, junto com tudo isso, uma dúvida muito comum entre pais e responsáveis: o que enviar de lanche para a criança levar à escola? No contexto da escola pública, essa preocupação costuma ser ainda maior. Muitas famílias precisam conciliar orçamento, tempo disponível e acesso aos alimentos, sem abrir mão da saúde e do bem-estar dos seus filhos.
A boa notícia é que é possível montar lanches práticos, nutritivos e acessíveis, que contribuem para o desenvolvimento infantil e ajudam a manter a atenção e a disposição durante o período escolar. Para te ajudar, neste artigo, selecionamos algumas sugestões simples e realistas para te apoiar na organização da alimentação na volta às aulas.
Antes de tudo, é importante reforçar um ponto essencial: as crianças já contam com a alimentação oferecida pela própria escola. A merenda escolar faz parte da rotina educativa e foi pensada justamente para garantir refeições equilibradas, seguras e adequadas às necessidades nutricionais dos alunos. O lanche enviado de casa, quando necessário, deve ser visto como um complemento e não como a única fonte de alimentação da criança durante o período escolar.
A importância da alimentação escolar na escola pública
Muitas famílias não sabem, mas a alimentação oferecida nas escolas segue critérios rigorosos de qualidade e cuidado. Existe um programa nacional que orienta e garante esse direito, permitindo que pais e responsáveis confiem na merenda escolar como parte fundamental da alimentação das crianças ao longo do dia: o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Essa alimentação é planejada por nutricionistas e tem como objetivo garantir refeições equilibradas e adequadas à faixa etária dos alunos.
O que a escola pública pode oferecer na merenda
Conforme o Art. 17 da Resolução FNDE nº 06/2020, os cardápios das escolas municipais devem priorizar alimentos in natura e minimamente processados. Além disso, o planejamento da alimentação escolar precisa considerar as necessidades nutricionais dos estudantes, a cultura alimentar de cada território, a sazonalidade dos alimentos e a produção agrícola local, favorecendo uma alimentação adequada e saudável para as crianças.
Nesse sentido, ao elaborar os cardápios, o nutricionista responsável técnico segue as diretrizes do PNAE para assegurar o direito à alimentação escolar de forma universal, contemplando todos os alunos, incluindo aqueles com necessidades alimentares específicas, bem como estudantes com deficiências e transtornos globais do desenvolvimento.
Por isso, em muitos casos, não é necessário enviar lanche diariamente para a escola. A merenda escolar já cumpre um papel importante na oferta de refeições completas e balanceadas. Quando a família opta por enviar algum alimento de casa, o ideal é que ele complemente o que a escola oferece, respeitando as orientações da unidade escolar e as necessidades da criança.
O que fazer em casos de seletividade alimentar?
As diretrizes do PNAE buscam atender às necessidades alimentares de todos os alunos, garantindo refeições equilibradas e adequadas à faixa etária. Ainda assim, podem existir situações específicas em que a criança precise levar um lanche de casa, seja por questões de saúde, preferências alimentares, restrições temporárias ou orientações da própria escola.
Nesses casos, é fundamental que a família faça esse encaminhamento de forma dialogada, alinhando previamente a situação com a gestão escolar. Esse contato permite que a escola compreenda a necessidade, oriente adequadamente a família e garanta que o cuidado com a alimentação da criança aconteça de forma integrada, respeitosa e segura, sem perder de vista o bem-estar coletivo.
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Dicas de lanches práticos para crianças levarem à escola
As sugestões de lanches a seguir são pensadas para situações específicas, como quando a escola orienta o envio de lanche complementar, em períodos de permanência reduzida ou em casos particulares, como restrições alimentares. O objetivo é apoiar as famílias com ideias simples, sem desconsiderar o papel central da alimentação escolar já oferecida.
- Frutas frescas: como banana, maçã, pera, melão ou mamão cortado, são opções práticas e acessíveis. Elas podem ser enviadas inteiras ou já higienizadas e cortadas, conforme a idade da criança;
- Pães simples: de preferência integrais, podem ser combinados com recheios como queijo, ovo mexido, ou frango desfiado. Sanduíches naturais são fáceis de montar e costumam agradar às crianças.
- Bolos caseiros: feitos com pouco açúcar e ingredientes básicos, também podem ser boas opções para variar o cardápio. O importante é evitar versões industrializadas e muito açucaradas.
- Tapioca recheada: a tapioca é uma excelente fonte de energia, sem glúten e de fácil digestão. Por ser um carboidrato simples, o ideal é que ela seja combinada com proteínas, como ovo e queijo, para evitar picos de glicemia.

Atenção aos alimentos ultraprocessados
Na correria do dia a dia, é comum recorrer a alimentos prontos, como biscoitos recheados, salgadinhos, sucos artificiais e bebidas açucaradas. No entanto, esses produtos devem ser evitados no lanche escolar sempre que possível.
Alimentos ultraprocessados costumam ter excesso de açúcar, sódio, gorduras e aditivos químicos, além de baixo valor nutricional. O consumo frequente pode impactar negativamente a saúde, o comportamento e a aprendizagem das crianças. Optar por alimentos mais naturais, mesmo que simples, é sempre a melhor escolha.
Como organizar a rotina de lanches sem gastar mais
Uma das principais preocupações das famílias é o custo. A alimentação saudável não precisa ser mais cara, mas exige planejamento. Organizar um pequeno cardápio semanal ajuda a evitar desperdícios e compras por impulso. Aproveitar as frutas da estação, comprar alimentos em feiras locais e preparar lanches em casa são estratégias que reduzem os gastos.
Outra dica importante é envolver as crianças na escolha e no preparo dos lanches, sempre que possível. Além de estimular hábitos alimentares mais saudáveis, essa participação aumenta as chances de aceitação dos alimentos e promove, desde cedo, a autonomia dos seus filhos.
Você não precisa fazer sempre o lanche “perfeito”, o mais importante é garantir constância, equilíbrio e cuidado. Pequenas escolhas feitas no dia a dia contribuem para a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento das crianças, tanto dentro quanto fora da sala de aula.

