Criança lendo um livro em uma biblioteca, promovendo a cultura literária com livros recomendados para estimular o hábito de leitura.
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Estimular a leitura em jovens, especialmente os da faixa do Ensino Fundamental - Anos Finais, é um gigantesco desafio para qualquer professor. Em um mundo onde as crianças estão cada vez mais acostumadas com conteúdos rápidos, mastigados e superficiais, apresentar um livro cheio de palavras, sem figuras, é uma tarefa extremamente difícil - mas, não impossível! 

No artigo de hoje, trouxemos quatro dicas de livros que vão ajudar a estimular a cultura literária nos alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais. Além da literatura, recentemente, divulgamos uma matéria com animações indicadas ao Oscar 2025 que podem ser utilizadas em suas aulas. Para conferir o conteúdo completo, basta clicar no link abaixo:

Extraordinário: um exercício de empatia em uma forte mensagem contra o bullying


Chamado originalmente de “Wonder”, o livro Extraordinário narra a emocionante história de August “Auggie” Pullman, um menino de dez anos que nasceu com a síndrome de Treacher Collins - que causa uma deformidade facial severa. Após anos de educação em casa, Auggie precisa enfrentar o maior desafio de sua vida até então: frequentar o quinto ano em uma escola presencialmente pela primeira vez.

Escrito pela autora R.J. Palácio após ela presenciar uma cena de contato entre seu filho e uma menina com a síndrome de Treacher Collins, o livro mergulha nas dificuldades e preconceitos que Auggie enfrenta por sua aparência em uma narrativa feita sob perspectivas de diferentes personagens. Ele aborda temas importantes e recorrentes na vida de crianças do Ensino Fundamental, como bullying e busca por aceitação.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


Apesar de abordar temas delicados, Extraordinário possui uma narrativa cativante contada através uma linguagem acessível. Além disso, a forma como a história é contada, com capítulos curtos e ponto de vista alternados, facilita tanto a leitura quanto a imersão dos jovens leitores na trama. 

O Menino do Pijama Listrado: reflexão sobre as consequências do preconceito


Escrito por John Boyne, o livro “O Menino do Pijama Listrado” narra a história de Bruno, um garoto alemão de família abastada que leva uma vida confortável em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial. Sua rotina muda de forma drástica quando seu pai, um oficial nazista de alta patente, é promovido e a família se muda para uma casa isolada, próxima ao campo de concentração de Auschwitz.

Ao decorrer da história, Bruno encontra Shmuel, um menino judeu da sua idade que está aprisionado no campo. Mesmo com a cerca e realidades completamente diferentes, Bruno e Shmuel desenvolvem uma amizade pura e verdadeira. Ainda que tendo o Holocausto em segundo plano, o livro consegue fazer um contraponto entre a inocência infantil confrontada com a brutalidade da guerra e o genocídio.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


O Menino do Pijama Listrado oferece uma primeira abordagem relativamente leve a um dos períodos mais sombrios da história da humanidade. Contado da perspectiva inocente de uma criança, ele torna a complexidade e a crueldade do Holocausto mais acessíveis, sem ser excessivamente gráfico, mas ainda assim impactante.

Além disso, a amizade improvável entre Bruno e Shmuel destaca a irracionalidade do preconceito e do ódio. Através da pureza do olhar infantil, os alunos são levados a questionar as divisões impostas pelos adultos e a refletir sobre as consequências devastadoras da discriminação

Capitães da Areia: representação crua da realidade de muitas crianças no Brasil


Chegou a hora de trazermos uma obra brasileira para a nossa lista! “Capitães da Areia, de Jorge Amado, narra a vida de um grupo de meninos de rua órfãos e abandonados que vivem em um trapiche desocupado no cais de Salvador, na Bahia. Liderados por Pedro Bala, um garoto destemido, os jovens sobrevivem de pequenos furtos, golpes e mendicância nas ruas da cidade.

Ao longo da história, Capitães da Areia apresenta em sua narrativa os desafios diários enfrentados pelos meninos, seus sonhos, suas alegrias e suas dores. Jorge Amado humaniza esses personagens, revelando suas complexidades e como a amizade e a solidariedade se tornam seus pilares de sustentação para a sobrevivência.

Em determinado momento, a trama se aprofunda nos conflitos das crianças com a polícia e a sociedade, mas também aborda o despertar para o amor, a injustiça social e as diferentes escolhas que cada um dos meninos faz ao crescer, traçando seus destinos em uma Salvador vibrante e cheia de contrastes.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


Capitães da Areia explora a realidade da infância abandonada e da miséria social no Brasil de forma crua e realista. Ao acompanhar as aventuras das crianças no livro, os alunos são levados a refletir sobre temas delicados como a pobreza, a exclusão social, a violência, a marginalização e a falta de oportunidades, estimulando um senso crítico sobre as desigualdades presentes na sociedade.

Não podemos deixar de dizer também que a obra é um retrato vívido da Bahia dos anos 1930, com suas tradições, crenças populares, festas e o sincretismo religioso. Através da linguagem rica e poética de Jorge Amado, os alunos têm contato com elementos importantes da cultura brasileira, o que enriquece seu repertório cultural e sua compreensão sobre a identidade nacional.

Dom Quixote: atravessando a linha tênue entre loucura e razão


Para finalizar a nossa lista de indicação de livros, trazemos um clássico da literatura mundial: “Dom Quixote de La Mancha”. Escrito por Miguel de Cervantes Saavedra, o livro narra as aventuras de um fidalgo espanhol de meia-idade que, após ler muitos romances de cavalaria, perde o juízo e decide se tornar um cavaleiro andante com a missão de praticar atos de heroísmo em nome de sua dama idealizada - uma simples camponesa elevada à condição de princesa apenas na cabeça do próprio.

A visão distorcida da realidade de “Dom Quixote” o leva a confundir moinhos de vento com gigantes, rebanhos de ovelhas com exércitos inimigos e uma taverna com um castelo. De forma bem humorada, a obra traz críticas aos exageros dos romances de cavalaria e explora temas como a fronteira entre a loucura e a razão, a busca por ideais, a realidade e a ilusão, e a natureza da própria ficção.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


A história de Dom Quixote é um convite fascinante para explorar a linha tênue entre a realidade e a fantasia. Os alunos são levados a questionar o que é real, o que é percebido e como a imaginação pode moldar nossa visão do mundo. Essa dualidade entre o idealismo de Quixote e o pragmatismo de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, estimula o pensamento crítico e a capacidade de interpretar diferentes perspectivas.

Assim como a literatura, o cinema é uma poderosa ferramenta pedagógica


Da mesma forma que os livros, os filmes também podem ser uma alternativa para incrementar as suas aulas e engajar seus alunos em discussões, reflexões e até mesmo outras atividades relacionadas às mensagens transmitidas nos filmes. Se você quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos que assista ao episódio 11 do nosso Podcast: Educação na Mesa.

Nesta edição, contamos com a presença do professor de História e Coordenador do clube de cinema do Colégio Etapa, Thomas Wisiak, que debateu a importância dos filmes como ferramenta pedagógica, além de dicas para ajudar você a montar um Clube de Cinema em sua escola. Para conferir o episódio na íntegra, acesse o link abaixo:



 
Professora sorridente em sala de aula segurando livro vermelho, representando inspiração de mulheres brasileiras na história.
Categories Cultura Dicas de Aula Educação História

Cinco mulheres brasileiras esquecidas pela história que merecem lugar nas salas de aula


A história brasileira é rica em figuras importantes de ambos sexos. Contudo, infelizmente, não temos o costume de abordar grandes nomes femininos de nossa história - o que é uma pena, vide a enorme contribuição que muitas mulheres tiveram na construção na cultura e sociedade do Brasil.

Por isso, no artigo de hoje, separamos cinco mulheres brasileiras que deveriam ser mais estudadas na escola, os motivos para essas escolhas e como você pode utilizá-las em sala de aula. Aproveitando, recentemente, publicamos uma matéria sobre a Semana da Cultura Nordestina e algumas dicas de como você pode trabalhar em aula. Para acessá-lo, basta clicar no link abaixo:

Maria Quitéria: a primeira militar brasileira


Figura heroica na Guerra da Independência do Brasil contra Portugal, Maria Quitéria de Jesus desafiou rígidas expectativas sociais da época, que limitava às mulheres apenas papéis domésticos. Com um forte desejo de lutar pela liberdade de sua terra, Quitéria, em um ato de ousadia e disfarce, cortou os cabelos, vestiu-se com roupas masculinas e se apresentou para o alistamento em 1822, ocultando sua identidade.



A determinação e habilidades militares da baiana logo foram notadas e, mesmo após sua identidade feminina ter sido descoberta, ela foi mantida nas forças armadas e se destacou em combate - tornando-se, assim, a primeira mulher a servir oficialmente em uma unidade militar no Brasil.

Por sua coragem e dedicação à causa da independência, foi promovida a alferes e condecorada com a Imperial Ordem do Cruzeiro pelo próprio Dom Pedro I. Maria Quitéria se tornou um símbolo de força, quebra de barreiras de gênero e patriotismo, sendo hoje reconhecida como uma das grandes heroínas nacionais do Brasil.

Maria Felipa de Oliveira: um dos símbolos esquecidos da independência do Brasil


Conterrânea de Maria Quitéria, Maria Felipa de Oliveira também foi uma heroína da Guerra da Independência do Brasil na Bahia. Ela atuou ativamente nas lutas pela libertação do domínio português na Ilha de Itaparica, organizando e liderando um grupo de mulheres e homens que ficou conhecido como o “Batalhão das Heroínas". 



A atuação de Maria Filipa foi crucial para a resistência em Itaparica e para a eventual expulsão dos portugueses da Bahia. Sua história, embora por muito tempo menos conhecida que a de outras heroínas, simboliza a participação fundamental de mulheres e da população negra e mestiça na construção da independência do Brasil.

Cora Coralina: prova que idade não deve ser um fator limitante


Pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, Cora Coralina foi uma das mais importantes poetisas e contistas brasileiras do século XX. Nascida em 1889, na cidade de Goiás–GO, a antiga capital do estado, ela teve uma vida marcada pela discrição e pela dedicação à doçaria, ofício que exerceu por muitos anos para sustentar sua família.



A vida literária de Cora Coralina só ganhou reconhecimento na velhice, quando publicou seu primeiro livro, "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais", em 1965, aos 76 anos. Cora faleceu em 1985, aos 95 anos, mas deixou um importante legado na literatura brasileira, sendo admirada por sua autenticidade e por demonstrar que a arte e o reconhecimento podem florescer em qualquer etapa da vida.

Zilda Arns: referência mundial na saúde infantil


Zilda Arns foi uma médica, pediatra e sanitarista brasileira. Seu trabalho é notável pela incansável dedicação à saúde pública e à redução da mortalidade infantil. Sua paixão por ajudar os mais vulneráveis a levou a fundar a Pastoral da Criança - uma iniciativa cujo objetivo era capacitar líderes comunitários a orientar famílias carentes sobre práticas de saúde básica e desenvolvimento infantil por meio de uma metodologia simples e eficaz.



Sob a liderança de Zilda, a Pastoral da Criança expandiu-se rapidamente, tornando-se uma das maiores e mais importantes organizações de combate à desnutrição e mortalidade infantil no mundo. O trabalho da Pastoral, baseado na solidariedade e na disseminação de conhecimento prático, resultou em uma significativa queda nas taxas de mortalidade infantil nas comunidades onde atuava, salvando milhões de vidas. Por sua dedicação e impacto social, Zilda Arns recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais.

Clementina de Jesus: resgatou a identidade afro-brasileira


Conhecida carinhosamente como “Rainha Quelé”, Clementina de Jesus foi uma das maiores e mais autênticas vozes da música do Brasil, sendo um verdadeiro ícone tanto do samba, quanto da cultura afro-brasileira. Nascida em 1901 em Valença, Rio de Janeiro, Clementina teve uma vida de dedicação ao trabalho doméstico e só iniciou sua carreira artística profissionalmente aos 63 anos.

Ela revisitou sambas antigos, jongos, cânticos de candomblé e outros ritmos tradicionais que estavam à beira do esquecimento, preservando e difundindo um rico patrimônio cultural. Por isso, sua presença nos palcos e estúdios era um ato de resistência e celebração da identidade afro-brasileira. 



Clementina também colaborou com grandes nomes da MPB, como Elton Medeiros e Candeia, e participou de importantes espetáculos e gravações que a consolidaram como uma figura essencial. Seu legado imaterial de valor é incalculável e continua a inspirar novas gerações de artistas a manter viva a memória e a força da cultura popular brasileira.

Por que a história dessas mulheres em sala de aula?


Trabalhar a história dessas mulheres em sala de aula é de suma importância por diversas razões. Primeiramente, essas figuras quebram o estereótipo de que a história é feita apenas por grandes homens, revelando o papel fundamental e muitas vezes invisibilizado das mulheres em diferentes épocas no Brasil.

Ao apresentar exemplos de coragem, liderança, criatividade e resistência feminina, os alunos – tanto meninos quanto meninas – são expostos a modelos inspiradores que contribuíram significativamente para a sociedade, independente das limitações sociais presentes no contexto de sua época.
Grupo de crianças assistindo a uma apresentação ou aula em ambiente escolar, em uma sala bem iluminada, com atenção voltada para o que está acontecendo.
Categories Atividades Cultura lúdico
O Oscar 2025, como de praxe nos últimos anos, teve uma disputa muito acirrada no prêmio de melhor animação - vencido pelo belíssimo filme Flow. E a melhor parte é que todas as animações, com exceção de Memórias de um Caracol (voltado para o público adulto), trazem ótimas oportunidades para serem trabalhadas em aula.

No artigo de hoje, vamos apresentar, sem spoilers, um pequeno resumo sobre quatro das animações indicadas ao Oscar, incluindo o vencedor, para qual faixa o filme é indicado e como você pode utilizá-los em sua sala de aula.

Wallace & Gromit: Avengança - criatividade e contato com um “novo” formato de arte


Produzidos em stop-motion, técnica de animação que consiste em criar a ilusão de movimento através da sequência de imagens, os filmes da série Wallace & Gromit, por si só, já são um prato cheio de diversão para as crianças, principalmente as da Educação Infantil. As narrativas são focadas no inventor atrapalhado Wallace e seu fiel e inteligente companheiro, o cachorro Gromit, e sempre surpreendem pela criatividade e pelo característico humor britânico.

Em “Avengança”, a dupla precisa enfrentar um antigo conhecido após uma das invenções de Wallace, como de costume, sair do controle. O filme faz uma crítica sutil e engraçada à dependência tecnológica cada vez maior de nossa sociedade e promete prender a atenção das crianças com a criatividade dos cenários e da engenhosidade das criações do inventor.

Com um cenário cada vez mais marcado por animações feitas em computação gráfica, Wallace & Gromit surge como uma oportunidade de apresentar aos seus alunos um modelo artístico diferente - pouco comum atualmente. E você pode estimular a criatividade das crianças ao propor uma atividade de replicar cenas, invenções ou personagens do filme com massinha de modelar.

O Robô Selvagem - a importância da empatia e tolerância


Adaptação de uma série de livros criadas pelo autor Peter Brown, o Robô Selvagem era apontado por muitos como o favorito à premiação do Oscar de Melhor Animação - não à toa. O filme conta a história de Roz, uma robô inteligente criada para executar qualquer tarefa que acaba naufragada em uma ilha habitada apenas por animais selvagens.

Para sobreviver ao novo ambiente enquanto aguarda o resgate, Roz precisa aprender a se adaptar à flora e fauna da ilha, fazendo amizade com uma raposa e um pequeno ganso órfão. Assim como o filme anterior em nossa lista, Robô Selvagem aborda o tema da tecnologia, desta vez em um conflito com a natureza. Contudo, ele também passa valores importantes, como respeito, empatia, tolerância e a importância em aprender a adaptar-se em ambientes diferentes.

A jornada de Roz para entender e se conectar com os animais da ilha ilustra a importância de se colocar no lugar do outro e respeitar as diferenças. Além disso, a aceitação mútua entre Roz e os animais, apesar de suas naturezas distintas, ressalta a importância da tolerância e da superação de preconceitos. Dessa forma, o Robô Selvagem pode ser utilizado para promover debates sobre pautas importantes como bullying, inclusão e diversidade - especialmente para alunos do Ensino Fundamental na fase de transição dos Anos Iniciais para os Anos Finais.

Divertida Mente 2 - como lidar com as emoções durante a puberdade


Sequência da aclamada animação de 2015, “Divertida Mente 2” pode até não ter conquistado uma estatueta como seu antecessor, mas sua qualidade faz jus à indicação ao Oscar de Melhor Animação. A trama segue a história da protagonista Riley que, desta vez, precisa lidar com a puberdade e o surgimento de novas emoções.

A história acontece durante um acampamento de verão onde a protagonista descobre que suas amigas de longa data vão mudar de escola no próximo ano letivo. Ao mesmo tempo, as emoções de Riley (alegria, tristeza, raiva e medo) precisam lidar com o surgimento de novas companheiras (ansiedade, tédio e timidez) em um conflito pelo comando da vida da personagem.

O filme Divertida Mente 2 pode ser abordado em sala de aula de diferentes maneiras, sendo especialmente indicado a alunos do Ensino Fundamental Anos Finais que compartilham não só a mesma faixa etária, como também os mesmos dilemas da protagonista. Desta forma, é possível debater temas comuns no universo dos adolescentes, como o conceito de identidade e como ela é construída ao longo do tempo, discutir a tomada de decisões e as consequências das ações baseadas em diferentes emoções e explorar as pressões sociais e a busca por pertencimento em grupos.

Flow - superando as diferenças em prol do bem maior


Talvez a grande surpresa do Oscar 2025, o filme Flow conquistou merecidamente o prêmio de melhor animação por apresentar uma narrativa criativa e extremamente tocante, mesmo sem nenhum diálogo verbal entre os protagonistas. Chamado originalmente de Straume (que, em letão, significa fluxo ou corrente), Flow conta a história de animais afetados por uma inundação que atinge uma floresta.

Uma das características mais marcantes no filme é a relação de parceria construída entre os animais de diferentes espécies que tentam sobreviver à enchente. Flow tem potencial para tocar profundamente professores e crianças e, sem deixar spoilers, recomendamos que você fique até o final para assistir à emocionante cena pós-créditos.

Você pode trabalhar de diferentes formas com essa animação em sala de aula. Professores de língua portuguesa e artes, por exemplo, podem abordar como os personagens se comunicam sem palavras, instigando os alunos a analisarem a linguagem corporal, as expressões faciais e os sons emitidos pelos animais para discutir a importância da observação e da escuta ativa para a compreensão mútua. 

Também é possível refletir sobre a empatia e a capacidade de se colocar no lugar do outro, mesmo sem entender a sua "língua", e debater conceitos como altruísmo, egoísmo, solidariedade e conflito, já que há momentos em que o gato precisa renunciar seus instintos solitários em prol da sobrevivência do grupo.

Já pensou em criar um Clube de Cinema em sua escola?


Atividades como clubes culturais são muito comuns em escolas nos Estados Unidos, França e Japão. Eles surgem como uma excelente ferramenta para promover o contato dos alunos com novas experiências de aprendizado que podem até mesmo servir de inspiração para seguir uma carreira no futuro. Um dos mais populares, que inclusive temos no Colégio Etapa, é o Clube do Cinema, que estimula o contato dos alunos com obras clássicas do cinema, além de promover debates sobre diferentes assuntos.

No episódio 11 do Podcast Educação na Mesa, recebemos o professor de História e Coordenador do clube de cinema do Colégio Etapa, Thomas Wisiak, para debater a importância do cinema como recurso pedagógico. Além disso, trouxemos dicas que vão ajudar você a montar um Clube de Cinema em sua escola. Para conferir o episódio na íntegra, acesse o link abaixo:

 
Estátua de cangaceiro com chapéu tradicional e fitas coloridas representando a cultura nordestina brasileira.
Categories Atividades Cultura
Hoje, começa a Semana da Cultura Nordestina - uma data criada para homenagear a rica cultura dos estados e povos presentes nessa região tão importante do nosso país. E, aproveitando a oportunidade, você, professor, também pode embarcar no clima e apresentar essa rica cultura aos seus alunos!

Neste artigo, vamos apresentar mais detalhes da origem da Semana da Cultura Nordestina, qual o seu propósito e dicas de atividades que você pode propor em aula para aproveitar essa importante celebração da cultura nacional.

O que é a Semana da Cultura Nordestina?


A semana da cultura nordestina é celebrada com o intuito de valorizar as ricas manifestações culturais da região nordeste do Brasil. Embora ainda não haja uma lei federa oficial que institua a semana em todo país, a data já é celebrada em diversas cidades e estados, com eventos e atividades que acontecem ao longo de sete dias.

Por que a Semana da Cultura Nordestina começa no dia 2 de agosto?


A data que celebra o início da Semana da Cultura Nordestina coincide com o dia do falecimento do canto, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga, uma das figuras mais importantes da música brasileira. Sua vida e obra são um reflexo fiel dos costumes, desafios e belezas do sertão nordestino, e ele foi fundamental na difusão da identidade cultural da região por todo o Brasil.

Apelidado de Rei do Baião, Luiz Gonzaga gravou 627 músicas em 266 álbuns, e acumulou mais de 60 milhões de vendas em discos ao longo de quase 50 anos de carreira, além de deixar um legado marcante de inspiração cultural e musical que influencia artistas brasileiros até os dias atuais.

Como trabalhar a Semana da Cultura Nordestina na sala de aula


A Semana da Cultura Nordestina traz uma oportunidade fantástica para explorar a riqueza e a diversidade dessa região tão importante para a cultura, identidade e economia nacional. A seguir, separamos algumas dicas de atividades que você pode aproveitar para celebrar essa data em sala de aula.

Literatura de Cordel: Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Anos Finais


A literatura de cordel é uma forma de poesia popular caracterizada por rimas que narra histórias em versos de maneira simples e acessível. Ela é uma herança cultural portuguesa, que trouxe ao Brasil uma prática comum em outros países da Europa durante o século XII, onde poetas e escritores vendiam seus trabalhos nas feiras em folhetos de papéis pendurados em varais ou barbantes (daí o nome “cordel”).

As temáticas são variadas, abordando desde lendas e contos populares, feitos heroicos e romances, críticas sociais, eventos históricos e até mesmo notícias do dia a dia, servindo como uma espécie de "jornal" para as comunidades mais afastadas. Muitos artistas brasileiros, como Ariano Suassuna, foram inspirados pela Literatura de Cordel e utilizaram diversas referências em suas obras.

Como você pode trabalhar em aula: você pode organizar uma roda de leitura de literatura de cordel. Explique a estrutura dos versos, as rimas e os temas abordados. Peça para os alunos escolherem seus cordéis favoritos e lerem em voz alta. Para classes mais avançadas, como as do Ensino Fundamental Anos Finais, você pode ensinar a estrutura e até mesmo estimular os alunos a produzirem seus próprios cordéis em sala.

Música e Dança: Ensino Fundamental - Anos Iniciais


A música e a dança são duas características marcantes da cultura nordestina. Muito antes da “pisadinha”, existia uma série de ritmos e estilos diferentes como forró (xote, baião, xaxado), frevo, maracatu e coco de roda, que trazem um pouco dos costumes e características de cada estado.

Como você pode trabalhar em aula: prepare uma playlist com músicas de grandes nomes da música nordestina, como Luiz Gonzaga, Elomar, Xangai, Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico Science, Geraldo Azevedo, entre outros. Incentive os alunos a pesquisar sobre a história e o contexto por trás das belas canções destes artistas.

Xilogravura e Cordel Ilustrado: Educação Infantil


A xilogravura é uma técnica milenar de gravura em relevo, onde o artista esculpe um desenho em uma matriz de madeira - como uma espécie de carimbo. O resultado são imagens com traços marcantes, expressivos e um caráter rústico que se tornou uma marca registrada da arte popular, especialmente no Nordeste brasileiro.

Essa técnica encontrou um casamento perfeito com a literatura de cordel, dando origem ao "cordel ilustrado". As xilogravuras servem como as capas e, por vezes, ilustrações internas dos folhetos de cordel, complementando visualmente as narrativas poéticas.

Como trabalhar em aula: Mostre exemplos de xilogravuras (ilustrações típicas dos cordéis) e incentive os alunos a criarem suas próprias, usando carimbos feitos de isopor ou batata, ou simplesmente desenhando. Eles podem criar suas próprias capas de cordel. 

Capoeira: Ensino Fundamental - Anos Finais


A capoeira é uma expressão cultural brasileira que combina elementos de luta, dança, música e teatralidade. Desenvolvida no Brasil por descendentes de escravos africanos, ela surgiu como uma forma de resistência e autodefesa, disfarçada de dança para não despertar a atenção dos senhores de engenho.

Considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a capoeira representa a fusão de diferentes culturas que traduz perfeitamente a pluralidade cultural do Nordeste

Como trabalhar em aula: você pode abordar a capoeira nas aulas de história e explicar como essa arte surgiu no Brasil durante o período da escravidão, sendo uma forma de defesa pessoal e expressão cultural disfarçada de dança, destacando a resiliência e a criatividade dos povos escravizados.