Criança lendo um livro em uma biblioteca, promovendo a cultura literária com livros recomendados para estimular o hábito de leitura.
Categories Cultura Dicas de Aula Educação
Estimular a leitura em jovens, especialmente os da faixa do Ensino Fundamental - Anos Finais, é um gigantesco desafio para qualquer professor. Em um mundo onde as crianças estão cada vez mais acostumadas com conteúdos rápidos, mastigados e superficiais, apresentar um livro cheio de palavras, sem figuras, é uma tarefa extremamente difícil - mas, não impossível! 

No artigo de hoje, trouxemos quatro dicas de livros que vão ajudar a estimular a cultura literária nos alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais. Além da literatura, recentemente, divulgamos uma matéria com animações indicadas ao Oscar 2025 que podem ser utilizadas em suas aulas. Para conferir o conteúdo completo, basta clicar no link abaixo:

Extraordinário: um exercício de empatia em uma forte mensagem contra o bullying


Chamado originalmente de “Wonder”, o livro Extraordinário narra a emocionante história de August “Auggie” Pullman, um menino de dez anos que nasceu com a síndrome de Treacher Collins - que causa uma deformidade facial severa. Após anos de educação em casa, Auggie precisa enfrentar o maior desafio de sua vida até então: frequentar o quinto ano em uma escola presencialmente pela primeira vez.

Escrito pela autora R.J. Palácio após ela presenciar uma cena de contato entre seu filho e uma menina com a síndrome de Treacher Collins, o livro mergulha nas dificuldades e preconceitos que Auggie enfrenta por sua aparência em uma narrativa feita sob perspectivas de diferentes personagens. Ele aborda temas importantes e recorrentes na vida de crianças do Ensino Fundamental, como bullying e busca por aceitação.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


Apesar de abordar temas delicados, Extraordinário possui uma narrativa cativante contada através uma linguagem acessível. Além disso, a forma como a história é contada, com capítulos curtos e ponto de vista alternados, facilita tanto a leitura quanto a imersão dos jovens leitores na trama. 

O Menino do Pijama Listrado: reflexão sobre as consequências do preconceito


Escrito por John Boyne, o livro “O Menino do Pijama Listrado” narra a história de Bruno, um garoto alemão de família abastada que leva uma vida confortável em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial. Sua rotina muda de forma drástica quando seu pai, um oficial nazista de alta patente, é promovido e a família se muda para uma casa isolada, próxima ao campo de concentração de Auschwitz.

Ao decorrer da história, Bruno encontra Shmuel, um menino judeu da sua idade que está aprisionado no campo. Mesmo com a cerca e realidades completamente diferentes, Bruno e Shmuel desenvolvem uma amizade pura e verdadeira. Ainda que tendo o Holocausto em segundo plano, o livro consegue fazer um contraponto entre a inocência infantil confrontada com a brutalidade da guerra e o genocídio.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


O Menino do Pijama Listrado oferece uma primeira abordagem relativamente leve a um dos períodos mais sombrios da história da humanidade. Contado da perspectiva inocente de uma criança, ele torna a complexidade e a crueldade do Holocausto mais acessíveis, sem ser excessivamente gráfico, mas ainda assim impactante.

Além disso, a amizade improvável entre Bruno e Shmuel destaca a irracionalidade do preconceito e do ódio. Através da pureza do olhar infantil, os alunos são levados a questionar as divisões impostas pelos adultos e a refletir sobre as consequências devastadoras da discriminação

Capitães da Areia: representação crua da realidade de muitas crianças no Brasil


Chegou a hora de trazermos uma obra brasileira para a nossa lista! “Capitães da Areia, de Jorge Amado, narra a vida de um grupo de meninos de rua órfãos e abandonados que vivem em um trapiche desocupado no cais de Salvador, na Bahia. Liderados por Pedro Bala, um garoto destemido, os jovens sobrevivem de pequenos furtos, golpes e mendicância nas ruas da cidade.

Ao longo da história, Capitães da Areia apresenta em sua narrativa os desafios diários enfrentados pelos meninos, seus sonhos, suas alegrias e suas dores. Jorge Amado humaniza esses personagens, revelando suas complexidades e como a amizade e a solidariedade se tornam seus pilares de sustentação para a sobrevivência.

Em determinado momento, a trama se aprofunda nos conflitos das crianças com a polícia e a sociedade, mas também aborda o despertar para o amor, a injustiça social e as diferentes escolhas que cada um dos meninos faz ao crescer, traçando seus destinos em uma Salvador vibrante e cheia de contrastes.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


Capitães da Areia explora a realidade da infância abandonada e da miséria social no Brasil de forma crua e realista. Ao acompanhar as aventuras das crianças no livro, os alunos são levados a refletir sobre temas delicados como a pobreza, a exclusão social, a violência, a marginalização e a falta de oportunidades, estimulando um senso crítico sobre as desigualdades presentes na sociedade.

Não podemos deixar de dizer também que a obra é um retrato vívido da Bahia dos anos 1930, com suas tradições, crenças populares, festas e o sincretismo religioso. Através da linguagem rica e poética de Jorge Amado, os alunos têm contato com elementos importantes da cultura brasileira, o que enriquece seu repertório cultural e sua compreensão sobre a identidade nacional.

Dom Quixote: atravessando a linha tênue entre loucura e razão


Para finalizar a nossa lista de indicação de livros, trazemos um clássico da literatura mundial: “Dom Quixote de La Mancha”. Escrito por Miguel de Cervantes Saavedra, o livro narra as aventuras de um fidalgo espanhol de meia-idade que, após ler muitos romances de cavalaria, perde o juízo e decide se tornar um cavaleiro andante com a missão de praticar atos de heroísmo em nome de sua dama idealizada - uma simples camponesa elevada à condição de princesa apenas na cabeça do próprio.

A visão distorcida da realidade de “Dom Quixote” o leva a confundir moinhos de vento com gigantes, rebanhos de ovelhas com exércitos inimigos e uma taverna com um castelo. De forma bem humorada, a obra traz críticas aos exageros dos romances de cavalaria e explora temas como a fronteira entre a loucura e a razão, a busca por ideais, a realidade e a ilusão, e a natureza da própria ficção.

Por que indicar este livro para alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais?


A história de Dom Quixote é um convite fascinante para explorar a linha tênue entre a realidade e a fantasia. Os alunos são levados a questionar o que é real, o que é percebido e como a imaginação pode moldar nossa visão do mundo. Essa dualidade entre o idealismo de Quixote e o pragmatismo de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, estimula o pensamento crítico e a capacidade de interpretar diferentes perspectivas.

Assim como a literatura, o cinema é uma poderosa ferramenta pedagógica


Da mesma forma que os livros, os filmes também podem ser uma alternativa para incrementar as suas aulas e engajar seus alunos em discussões, reflexões e até mesmo outras atividades relacionadas às mensagens transmitidas nos filmes. Se você quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos que assista ao episódio 11 do nosso Podcast: Educação na Mesa.

Nesta edição, contamos com a presença do professor de História e Coordenador do clube de cinema do Colégio Etapa, Thomas Wisiak, que debateu a importância dos filmes como ferramenta pedagógica, além de dicas para ajudar você a montar um Clube de Cinema em sua escola. Para conferir o episódio na íntegra, acesse o link abaixo:



 
crianca-disgrafia-alunos-dificuldade-escrever.webp
Categories Educação Neurociência Nivelamento escolar Transtornos de Aprendizagem
Caligrafia ruim ou dificuldades para escrever não são, necessariamente, resultados de desinteresse do aluno ou um plano pedagógico ruim. Na verdade, de uma forma parecida com a discalculia, existe um transtorno que pode transformar o simples processo de escrever em um enorme desafio para a criança: a disgrafia.

No artigo de hoje, vamos falar tudo o que você precisa saber sobre a disgrafia, como saber diferenciar ela de outros transtornos, como a dislexia, e o que você deve fazer ao encontrar alunos com esse problema. Lembrando que já temos uma matéria que fala sobre a discalculia, relacionada à dificuldade de aprendizagem em matemática. Para acessá-la, basta clicar no link abaixo:

O que é Disgrafia?


A disgrafia é um transtorno de aprendizagem que afeta a capacidade do aluno de escrever de forma clara, legível e organizada. Isso significa que crianças com esse transtorno não escrevem mal por falta de inteligência ou preguiça, mas sim devido a uma dificuldade neurológica que interfere na coordenação motora fina e no processamento das informações necessárias para a escrita.

Além disso, a disgrafia pode ser classificada por sua origem e em diferentes tipos, que possuem características bem distintas. A seguir, vamos comentar mais sobre cada um deles.

Tipos de disgrafia por origem


Disgrafia por desenvolvimento


Esta é a origem mais comum de disgrafia. Normalmente, ela é diagnosticada durante o processo de aprendizagem da escrita ainda na infância. Diferente da adquirida, ela não está associada a uma lesão cerebral específica ou trauma, mas sim a dificuldades no desenvolvimento das habilidades necessárias para a escrita, como percepção visual, organização espacial ou coordenação motora fina.

Disgrafia adquirida


Mais comum em adultos, a disgrafia adquirida ocorre em pessoas que já tinham uma escrita normal, mas perdem a capacidade devido a uma lesão cerebral como, por exemplo, trauma cranioencefálico e acidente vascular cerebral, ou doenças neurológicas. Nesses casos, a pessoa desaprende a escrever, ou sua escrita sofre um comprometimento considerável.

Tipos de disgrafia por aspecto afetado


Disgrafia motora


A disgrafia motora, também chamada de discaligrafia, é o tipo mais conhecido. Aqui, o problema central está na coordenação motora fina e na execução física da escrita. A pessoa tem dificuldade em realizar os movimentos precisos para escrever as letras, resultando em diversos problemas.

Disgrafia espacial


Como o nome sugere, esse tipo de disgrafia, também chamada de visuoespacial, tem sua principal dificuldade ligada à organização espacial da escrita na página. Isso significa que a criança pode ter problemas em manter a escrita dentro das linhas e margens, dificuldades em escrever letras com proporções consistentes, utilizar espaçamento inconsistente entre palavras e linhas, entre outros.

Disgrafia linguística


Embora a seja primariamente um problema de escrita, a disgrafia linguística se aproxima mais das dificuldades de processamento da linguagem. A caligrafia pode até ser razoável, mas a criança apresenta muitos erros ortográficos, gramática e sintaxe. Isso acontece devido a dificuldades:

  • Fonológica: quando o aluno tem problema para converter os sons em letras, especialmente em palavras novas ou pseudopalavras. Nesses casos, a criança depende muito da "rota lexical" (memória visual de palavras);

  • Lexical: dificuldade em utilizar a memória visual para escrever palavras já conhecidas - especialmente aquelas com ortografia irregular (que não seguem as regras fonéticas). O aluno tende a soletrar as palavras foneticamente, o que pode levar a erros em palavras homófonas.


Como saber se um aluno tem disgrafia?


Identificar um aluno com disgrafia é uma tarefa complexa. Para isso, o professor deve observar um conjunto de sinais persistentes que afetam a escrita da criança. É importante deixar claro que a “letra feia”, por si só, não é suficiente para o diagnóstico

Existem muitos fatores que podem influenciar a caligrafia, sendo que a disgrafia é um transtorno mais abrangente. Para justificar a suspeita desse transtorno, é importante identificar dois ou mais dos seguintes sintomas:

Caligrafia Ilegível ou dificuldade na formação das letras:

  • Letras malformadas, incompletas, com tamanhos e formas inconsistentes;

  • Espaçamento irregular entre letras, sílabas e palavras (muito juntas ou muito separadas);

  • Dificuldade em manter as letras na linha ou dentro das margens;

  • Mistura de letras maiúsculas e minúsculas ou de diferentes tipos de letra (cursiva e bastão) na mesma palavra ou frase;

  • Traçado excessivamente forte (chega a furar o papel) ou muito fraco.


Lentidão excessiva ao escrever:

  • O aluno demora muito mais tempo que os colegas para completar tarefas escritas;

  • Pode parecer que ele "luta" com cada letra, em vez de escrever com fluidez.


Problemas de coordenação motora fina relacionados à escrita:

  • Manuseio inadequado do lápis (muito forte, muito frouxa, dedos em posições incomuns);

  • Dor ou cãibras na mão/braço ao escrever;

  • Postura corporal tensa ou incomum durante a escrita;

  • Dificuldade em realizar outras tarefas de coordenação motora fina (amarrar cadarços, usar tesoura, abotoar roupas).


Organização e estruturação do texto:

  • desorganização visual na folha: textos desordenados, com rasuras excessivas, borrados;

  • dificuldade em organizar os pensamentos de forma coerente no papel, mesmo que o aluno consiga expressá-los oralmente;

  • dificuldade em planejar o espaço, fazendo com que o texto fique "espremido" no final da linha ou página.


Dificuldades ortográficas e gramaticais (nem sempre presentes, mas podem coexistir):

  • erros ortográficos frequentes que não correspondem à idade ou ao nível de ensino;

  • omissão, inversão ou substituição de letras e sílabas;

  • problemas com pontuação e gramática;

  • esses sinais podem indicar também disortografia, que frequentemente está associada à disgrafia.


Frustração e aversão à escrita:


  • o aluno pode evitar tarefas que envolvam escrita;

  • apresenta baixa autoestima ou ansiedade ao ser solicitado a escrever.


O que fazer ao identificar um aluno com disgrafia?


Ao identificar os sinais da disgrafia de forma persistente, ao ponto de prejudicar significativamente o desempenho do aluno em sala de aula, é crucial que o professor converse com a família e indique uma avaliação profissional. O diagnóstico desse transtorno requer uma abordagem multidisciplinar, exigindo exames com neurologistas, psicopedagogos, neuropsicólogos, entre outros.

É fundamental que o diagnóstico seja realizado por especialistas, pois a disgrafia é um transtorno complexo e sua intervenção é mais eficaz quando direcionada às necessidades específicas do aluno. O apoio e as adaptações adequadas podem fazer uma grande diferença no desenvolvimento acadêmico e na autoestima do estudante.

Como promover a inclusão de alunos com disgrafia


A disgrafia, semelhante a outras condições neurodivergentes, pode representar um desafio considerável para a participação plena do estudante em sala de aula, impactando também o educador. Mas, como podemos fomentar a inclusão de crianças que enfrentam essa dificuldade na escrita?

No terceiro episódio do Podcast “Educação na Mesa”, conversamos com a neuropsicopedagoga Milena Trimer sobre estratégias para incluir alunos com TDAH, TOD e TEA no ambiente escolar. Embora o foco desse debate específico tenha sido esses outros transtornos, muitos dos princípios de inclusão abordados podem ser adaptados para apoiar estudantes com disgrafia. Você pode assistir à entrevista completa em nosso canal, acessando o link abaixo:

 
Professora sorridente em sala de aula segurando livro vermelho, representando inspiração de mulheres brasileiras na história.
Categories Cultura Dicas de Aula Educação História

Cinco mulheres brasileiras esquecidas pela história que merecem lugar nas salas de aula


A história brasileira é rica em figuras importantes de ambos sexos. Contudo, infelizmente, não temos o costume de abordar grandes nomes femininos de nossa história - o que é uma pena, vide a enorme contribuição que muitas mulheres tiveram na construção na cultura e sociedade do Brasil.

Por isso, no artigo de hoje, separamos cinco mulheres brasileiras que deveriam ser mais estudadas na escola, os motivos para essas escolhas e como você pode utilizá-las em sala de aula. Aproveitando, recentemente, publicamos uma matéria sobre a Semana da Cultura Nordestina e algumas dicas de como você pode trabalhar em aula. Para acessá-lo, basta clicar no link abaixo:

Maria Quitéria: a primeira militar brasileira


Figura heroica na Guerra da Independência do Brasil contra Portugal, Maria Quitéria de Jesus desafiou rígidas expectativas sociais da época, que limitava às mulheres apenas papéis domésticos. Com um forte desejo de lutar pela liberdade de sua terra, Quitéria, em um ato de ousadia e disfarce, cortou os cabelos, vestiu-se com roupas masculinas e se apresentou para o alistamento em 1822, ocultando sua identidade.



A determinação e habilidades militares da baiana logo foram notadas e, mesmo após sua identidade feminina ter sido descoberta, ela foi mantida nas forças armadas e se destacou em combate - tornando-se, assim, a primeira mulher a servir oficialmente em uma unidade militar no Brasil.

Por sua coragem e dedicação à causa da independência, foi promovida a alferes e condecorada com a Imperial Ordem do Cruzeiro pelo próprio Dom Pedro I. Maria Quitéria se tornou um símbolo de força, quebra de barreiras de gênero e patriotismo, sendo hoje reconhecida como uma das grandes heroínas nacionais do Brasil.

Maria Felipa de Oliveira: um dos símbolos esquecidos da independência do Brasil


Conterrânea de Maria Quitéria, Maria Felipa de Oliveira também foi uma heroína da Guerra da Independência do Brasil na Bahia. Ela atuou ativamente nas lutas pela libertação do domínio português na Ilha de Itaparica, organizando e liderando um grupo de mulheres e homens que ficou conhecido como o “Batalhão das Heroínas". 



A atuação de Maria Filipa foi crucial para a resistência em Itaparica e para a eventual expulsão dos portugueses da Bahia. Sua história, embora por muito tempo menos conhecida que a de outras heroínas, simboliza a participação fundamental de mulheres e da população negra e mestiça na construção da independência do Brasil.

Cora Coralina: prova que idade não deve ser um fator limitante


Pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, Cora Coralina foi uma das mais importantes poetisas e contistas brasileiras do século XX. Nascida em 1889, na cidade de Goiás–GO, a antiga capital do estado, ela teve uma vida marcada pela discrição e pela dedicação à doçaria, ofício que exerceu por muitos anos para sustentar sua família.



A vida literária de Cora Coralina só ganhou reconhecimento na velhice, quando publicou seu primeiro livro, "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais", em 1965, aos 76 anos. Cora faleceu em 1985, aos 95 anos, mas deixou um importante legado na literatura brasileira, sendo admirada por sua autenticidade e por demonstrar que a arte e o reconhecimento podem florescer em qualquer etapa da vida.

Zilda Arns: referência mundial na saúde infantil


Zilda Arns foi uma médica, pediatra e sanitarista brasileira. Seu trabalho é notável pela incansável dedicação à saúde pública e à redução da mortalidade infantil. Sua paixão por ajudar os mais vulneráveis a levou a fundar a Pastoral da Criança - uma iniciativa cujo objetivo era capacitar líderes comunitários a orientar famílias carentes sobre práticas de saúde básica e desenvolvimento infantil por meio de uma metodologia simples e eficaz.



Sob a liderança de Zilda, a Pastoral da Criança expandiu-se rapidamente, tornando-se uma das maiores e mais importantes organizações de combate à desnutrição e mortalidade infantil no mundo. O trabalho da Pastoral, baseado na solidariedade e na disseminação de conhecimento prático, resultou em uma significativa queda nas taxas de mortalidade infantil nas comunidades onde atuava, salvando milhões de vidas. Por sua dedicação e impacto social, Zilda Arns recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais.

Clementina de Jesus: resgatou a identidade afro-brasileira


Conhecida carinhosamente como “Rainha Quelé”, Clementina de Jesus foi uma das maiores e mais autênticas vozes da música do Brasil, sendo um verdadeiro ícone tanto do samba, quanto da cultura afro-brasileira. Nascida em 1901 em Valença, Rio de Janeiro, Clementina teve uma vida de dedicação ao trabalho doméstico e só iniciou sua carreira artística profissionalmente aos 63 anos.

Ela revisitou sambas antigos, jongos, cânticos de candomblé e outros ritmos tradicionais que estavam à beira do esquecimento, preservando e difundindo um rico patrimônio cultural. Por isso, sua presença nos palcos e estúdios era um ato de resistência e celebração da identidade afro-brasileira. 



Clementina também colaborou com grandes nomes da MPB, como Elton Medeiros e Candeia, e participou de importantes espetáculos e gravações que a consolidaram como uma figura essencial. Seu legado imaterial de valor é incalculável e continua a inspirar novas gerações de artistas a manter viva a memória e a força da cultura popular brasileira.

Por que a história dessas mulheres em sala de aula?


Trabalhar a história dessas mulheres em sala de aula é de suma importância por diversas razões. Primeiramente, essas figuras quebram o estereótipo de que a história é feita apenas por grandes homens, revelando o papel fundamental e muitas vezes invisibilizado das mulheres em diferentes épocas no Brasil.

Ao apresentar exemplos de coragem, liderança, criatividade e resistência feminina, os alunos – tanto meninos quanto meninas – são expostos a modelos inspiradores que contribuíram significativamente para a sociedade, independente das limitações sociais presentes no contexto de sua época.
Alfabetização com acolhimento: o papel do educador no desenvolvimento da escrita
Categories Alfabetização e Letramento Educação Nivelamento escolar
Os termos alfabetização e letramento são muito utilizados no campo da educação e, apesar de terem suas semelhanças, eles não representam exatamente o mesmo conceito. Por isso, é fundamental para educadores, pais e qualquer pessoa interessada nesses processos entender a diferença de cada um deles.

Se você não sabe qual a diferença entre alfabetização e letramento, fique tranquilo. No artigo de hoje nós vamos explicar detalhadamente cada um desses conceitos e os pré-requisitos necessários para cada um.

Alfabetização e letramento: entendendo as diferenças


O que é alfabetização?


A alfabetização refere-se ao processo de aquisição da leitura e da escrita no sentido mais básico. É a capacidade de decodificar e compreender símbolos gráficos, transformando letras em sons e vice-versa. Simplificando, isso significa que uma pessoa alfabetizada consegue ler um texto e escrever palavras e frases inteligíveis.

Quais os requisitos para a alfabetização?


Para que uma pessoa possa ser considerada alfabetizada, é necessário que ela tenha requisitos essenciais, como consciência fonológica (A capacidade de identificar, manipular e compreender os sons da língua falada - incluindo reconhecer rimas, aliterações e segmentar palavras em sílabas e fonemas), conhecimento do alfabeto, fluência leitora e habilidades motoras finas.

O que é letramento?


Enquanto a alfabetização se concentra na mecânica da leitura e escrita, o letramento é um conceito mais amplo e complexo. Refere-se à capacidade de usar a leitura e a escrita em diversas práticas sociais.

Ou seja, o letramento é a habilidade de compreender e interpretar diferentes tipos de textos em variados contextos, utilizando a linguagem escrita para interagir com o mundo, resolver problemas e produzir novos conhecimentos. Uma pessoa letrada não apenas lê as palavras, mas entende o propósito do texto, quem o escreveu, para quem e em que situação.

Quais os requisitos para o letramento?


Os requisitos para considerar uma pessoa letrada vão um pouco além da alfabetização. O principal deles é a compreensão leitora, que significa que a pessoa deve ir além da decodificação e entender o significado do texto em diferentes níveis.

Além disso, a habilidade de produção textual também é um requisito mínimo. Neste caso, significa que a pessoa deverá ser capaz de escrever diferentes gêneros textuais (como cartas, e-mails, relatórios, etc.), de forma coerente e adequada ao público e seu propósito, para ser considerada letrada.

Por fim, também é importante que a pessoa desenvolva conhecimento sobre os diferentes gêneros textuais, uso social da escrita, pensamento crítico, habilidades de pesquisa e, acima de tudo, a contextualização (Entender que o significado de um texto pode variar dependendo do contexto em que ele é lido ou produzido).

Alfabetização e letramento andam juntos


Apesar de serem diferentes, é importante que você entenda que alfabetização e letramento não são processos sequenciais, onde um termina para o outro começar. Pelo contrário, eles se desenvolvem de forma simultânea e interdependente. A alfabetização é a porta de entrada para o mundo da escrita, mas é o letramento que permite ao indivíduo transitar nesse mundo com autonomia e proficiência.

Um indivíduo pode ser alfabetizado (saber ler e escrever frases simples) mas não ser letrado (não conseguir interpretar um contrato, preencher um formulário complexo ou compreender uma notícia de jornal com profundidade). Da mesma forma, o letramento pleno só é possível quando a base da alfabetização está consolidada, garantindo a fluência e a precisão necessárias para interagir com textos mais desafiadores.

Saiba mais sobre alfabetização e letramento no Podcast Educação na Mesa


No episódio de número 33 do Podcast Educação na Mesa, recebemos a assessora pedagógica do Sistema Etapa, Crislaine Costa, para uma conversa esclarecedora sobre os fundamentos da alfabetização e letramento. Além disso, discutimos também o papel da consciência fonológica, oralidade e do desenvolvimento da linguagem como pilares para a aprendizagem da leitura e da escrita.

Se você é educador, gestor ou familiar e quer entender como preparar as crianças para esse processo de forma consistente, este episódio é para você! Para conferir a entrevista completa, basta acessar o episódio em nosso canal no YouTube clicando no link abaixo:

+ Alfabetização e letramento: quais são os pré-requisitos?

 
Professora interagindo com aluno neurodivergente em sala de aula inclusiva.
Categories Alfabetização e Letramento Educação Neurociência Nivelamento escolar Transtornos de Aprendizagem
A inclusão de alunos neurodivergentes no ambiente escolar é, ao mesmo tempo, um desafio e uma necessidade crescente. Uma educação verdadeiramente inclusiva beneficia a todos, preparando os estudantes para um mundo cada vez mais diverso. 

Mas, o que fazer para promover a inclusão desses alunos no ambiente escolar? Neste artigo, exploramos estratégias eficazes para criar um ambiente escolar acolhedor e estimulante para alunos neurodivergentes e neurotípicos.

O que são alunos neurodivergentes?


Chamamos de neurodivergentes alunos cujo funcionamento do cérebro, bem como o modo de processar informações, diferem do que é considerado típico ou padrão pela maioria da sociedade. Esse termo faz parte do conceito de neurodiversidade, que reconhece a diversidade natural das mentes humanas, assim como acontecem em outras características biológicas.

Antigamente, havia uma espécie de generalização na classificação desses alunos que, assim como crianças com deficiência física, eram chamados de “especiais”. Neste aspecto, o movimento da neurodiversidade propõe que as neurodivergências são variações naturais e legítimas da cognição humana.

Algumas das características neurodivergentes mais comuns



  • Transtorno do Espectro Autista (TEA): caracteriza-se por diferenças na comunicação social, padrões de comportamento restritivos e repetitivos, e, muitas vezes, sensibilidades sensoriais específicas.



  • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): envolve dificuldades com atenção, impulsividade e hiperatividade.



  • Dislexia: afeta a capacidade de leitura e escrita, apesar de inteligência normal.



  • Discalculia: dificuldade em compreender e manipular números ou conceitos matemáticos.



  • Dispraxia: dificuldade na coordenação motora e no planejamento de movimentos.



  • Síndrome de Tourette: caracterizada por tiques motores e vocais involuntários.



  • Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD): Embora não seja frequentemente associada diretamente ao termo neurodivergente no senso comum, algumas abordagens a incluem por representar um funcionamento cognitivo que se desvia da média.


Como identificar alunos neurodivergentes


Identificar alunos neurodivergentes na escola não é uma tarefa fácil - até porque, não exite um checklist universal para identificar os transtornos através dos comportamentos, tendo em vista que a neurodivergência se manifesta de forma única em cada indivíduo.

No entanto, alguns sinais e comportamentos podem levantar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Entre os principais, podemos citar:

  • Facilidade em se distrair: o aluno "viaja" nos pensamentos ou perde o foco facilmente com estímulos externos (barulhos, movimento);

  • Desorganização: dificuldade em organizar materiais, tarefas e o próprio espaço;

  • Incapacidade de concluir tarefas: abandona projetos, atividades ou não consegue seguir instruções até o fim;

  • Esquecimento: perde objetos importantes, esquece tarefas ou informações recém-dadas;

  • Hiperfoco: curiosamente, alguns alunos podem ter um foco excessivo em assuntos de seu interesse, ignorando o restante. 


É válido destacar que para o diagnóstico de um aluno neurodivergente, bem como o seu tratamento, é necessário o trabalho em conjunto de uma equipe multidisciplinar, que pode contar com neuropsicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, entre outros, para avaliar, identificar e traçar o melhor caminho para lidar com o transtorno.

A importância do professor no diagnóstico de alunos neurodivergentes


Em conversa no episódio três do Podcast Educação na Mesa, do Grupo Etapa, a neuropsicóloga Milena Trimer destacou a importância dos professores observarem possíveis casos de alunos neurodivergentes e orientarem suas famílias: “O professor tem um lugar muito privilegiado de observação sobre o aluno. Entender um pouco mais sobre os transtornos ele consegue, pelo menos, direcionar a família”.

No entanto, essa observação precisa ser feita com cautela. Isso porque, segundo Milena: “um sintoma não pode ser interpretado. O professor precisa conhecer e entender o seu aluno, quem é o seu aluno, qual o perfil da sua escola, como é a comunidade escolar e social que ele vive”. 

Isso é fundamental para saber diferenciar o transtorno de aprendizagem ou do neurodesenvolvimento de uma dificuldade da criança em aprender determinada matéria. Conforme a neuropsicóloga: “transtorno tem um início precoce, na infância, e, mesmo após a intervenção, se em seis meses não há uma mudança no comportamento, isso é um transtorno. Caso a criança apresente uma melhora, é uma dificuldade. A dificuldade é transitória e o transtorno permanece por toda a vida”.

O que a escola e professores podem fazer pelos alunos neurodivergentes


Antigamente, era muito comum que escolas contassem com “salas especiais”, que eram destinadas a crianças com todo tipo de deficiência de forma indiscriminada. Essa abordagem segregadora, com o tempo, provou-se ineficaz tanto na inclusão dessas crianças na sociedade, como na educação dos outros alunos em aprender, principalmente, a como lidar com essa situação.

Um dos principais focos da educação inclusiva é justamente promover um ambiente de aprendizado onde todas as crianças, com ou sem deficiência, estudem juntas e aprendam umas com as outras. Isso significa que a educação inclusiva busca integrar esses alunos no ensino regular, adaptando metodologias e recursos para atender às suas necessidades individuais, em vez de isolá-los. O objetivo é criar uma escola que valorize a diversidade, ensinando a empatia, o respeito às diferenças e a colaboração entre todos os estudantes.

Adaptações Pedagógicas são fundamentais para a educação inclusiva


Para que a inclusão seja efetiva, é imprescindível desenvolver um PEI (Plano de Ensino Individualizado) para cada criança, considerando suas aptidões, desafios e o estilo de aprendizagem. Além disso, é importante que os professores utilizem diferentes métodos de ensino, como recursos visuais, auditivos e cinestésicos.

Aulas mais dinâmicas, com atividades práticas e colaborativas, tendem a ser mais engajadoras. Para Milena: “motivação é algo intrínseco, seja autista ou não. O engajamento depende muito do professor, é importante tentar se aproximar do aluno e mostrar que você está interessado em saber a opinião dele sobre o assunto”.

Os alunos neurodivergentes e a sua inclusão no ambiente escolar foi um dos temas abordados no terceiro episódio do Podcast Educação na Mesa. Você pode conferir a entrevista da neuropsicóloga Milena Trimer na íntegra em nosso canal no YouTube clicando no link abaixo: