Pai acompanha o filho em atividade lúdica com jogo de tabuleiro, representando experiências cotidianas que estimulam o desenvolvimento cognitivo e socioemocional durante as férias escolares.

As férias escolares são aguardadas com ansiedade por crianças, adolescentes e também por muitas famílias. Depois de um ano intenso de aulas, avaliações, compromissos e rotinas rígidas, esse período representa uma pausa necessária para o descanso físico e emocional.

No entanto, é comum que surja uma dúvida entre pais e responsáveis: como apoiar o desenvolvimento dos filhos durante as férias sem transformar esse tempo em uma extensão da escola ou em uma lista de obrigações? A boa notícia é que o desenvolvimento não acontece apenas entre quatro paredes, com livros ou atividades formais. 

Na verdade, o conhecimento, formação de repertório e desenvolvimento acontecem, principalmente, nas experiências do cotidiano, nas interações, nas escolhas e no tempo de qualidade compartilhado. Neste aspecto, podemos dizer que as férias escolares podem ser um terreno fértil para o crescimento de habilidades cognitivas, acadêmicas, sociais e até mesmo da inteligência emocional.

Não sabe como começar? Sem problemas! No artigo de hoje, nós vamos trazer algumas dicas para ajudar você a incentivar o desenvolvimentos dos seus filhos durante as férias através de experiências saudáveis e divertidas, sem a pressão da rotina escolar. Afinal de contas, as férias também são um momento de descanso.

Dicas para apoiar o desenvolvimento acadêmico durantes as férias

1- Mude o seu olhar sobre as férias escolares

Um dos maiores equívocos é acreditar que, durante as férias, a criança “para de aprender”. Na verdade, o que muda é a forma como a aprendizagem acontece. Fora do ambiente escolar, o aprendizado se torna mais espontâneo, contextualizado e significativo.

Atividades simples como brincar, conversar, explorar novos ambientes, lidar com frustrações, organizar o próprio tempo e até sentir tédio são experiências fundamentais para o desenvolvimento. O descanso, inclusive, é parte essencial desse processo: é nele que o cérebro consolida aprendizados, regula emoções e recupera energia para novos desafios. Por isso, o primeiro passo para apoiar os filhos nas férias é mudar o olhar: as férias não precisam ser produtivas no sentido tradicional. Elas precisam ser humanas. 

2 – Crie uma agenda que promova o equilíbrio entre rotina e liberdade

Embora as férias escolares peçam flexibilidade, isso não significa ausência total de rotina. Crianças e adolescentes se beneficiam de uma estrutura mínima que traga previsibilidade e segurança, como horários razoáveis para dormir, acordar e se alimentar.

O segredo está no equilíbrio. Ao invés de agendas lotadas de atividades, vale apostar em ritmos mais leves, com espaços livres para escolhas pessoais. Outra dica importante é deixar os seus filhos participarem da elaboração da agenda das férias, até mesmo os pequenos.

Quando a criança participa da organização do próprio dia, decidindo, por exemplo, quando brincar, quando descansar ou quando assistir a um filme, ela desenvolve autonomia, responsabilidade e autoconhecimento. Para os adolescentes e pré-adolescentes, esse equilíbrio é ainda mais importante. O excesso de controle pode gerar resistência, enquanto a liberdade acompanhada de diálogo fortalece vínculos e amadurecimento.

Família com duas crianças e um cachorro aproveita momento ao ar livre durante as férias, representando convivência familiar, lazer e desenvolvimento socioemocional na infância.
Momentos de lazer em família, contato com a natureza e convivência saudável contribuem para o desenvolvimento emocional, social e afetivo das crianças durante as férias escolares.

3 – Aposte em experiências cotidianas que promovem o saber “sem perceber”

Durante as férias, as famílias podem estimular o desenvolvimento dos filhos sem recorrer a “tarefas escolares disfarçadas”. Algumas experiências simples têm enorme potencial educativo. Algumas delas são:

  • Leitura por prazer: sem cobrança de quantidade ou resumo. Ler o que desperta interesse — histórias, quadrinhos, biografias, curiosidades.
  • Conversas em família: falar sobre atualidades, sonhos, filmes, desafios e opiniões estimula pensamento crítico e expressão verbal.
  • Cozinhar juntos: envolve matemática, planejamento, paciência e colaboração.
  • Jogos de tabuleiro e desafios: trabalham estratégias, regras, convivência e frustração.
  • Contato com a natureza: caminhadas, parques, observação do céu ou do ambiente ao redor ampliam a curiosidade e a percepção do mundo.

Tudo isso contribui para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional sem a sensação de obrigação.

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4 – O “tédio” também faz parte do desenvolvimento educacional

Em uma rotina cada vez mais acelerada, o tédio costuma ser visto como algo negativo. No entanto, ele tem um papel fundamental no desenvolvimento infantil e juvenil. Quando não há estímulos prontos o tempo todo, a criança é convidada a criar, imaginar, inventar soluções e explorar interesses próprios.

Permitir momentos de ócio, sem telas e sem tarefas dirigidas, ajuda a desenvolver criatividade, autonomia e capacidade de lidar com o próprio tempo. É importante resistir à tentação de “preencher” cada minuto das férias.

5 – Férias como parte do projeto de vida

Por fim, é importante lembrar que aprender a descansar, a se organizar e a cuidar de si também faz parte da formação integral. As férias ensinam que a vida não é feita apenas de obrigações, mas também de escolhas, pausas e prazer.

Quando as famílias compreendem isso, deixam de transformar as férias em uma fonte de ansiedade e passam a vê-las como um tempo de conexão, crescimento e equilíbrio.

Afinal, apoiar o desenvolvimento dos filhos não é sobre controlar cada passo, é sobre caminhar junto, com intenção, escuta e confiança.

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