Quando falamos em Educação Integral, estamos ilustrando algo que vai além do ensino de conteúdos curriculares. Para o professor da escola pública, esse conceito não é novidade, mas, muitas vezes, surge cercado de dúvidas e interpretações, de certo modo, equivocadas.
Afinal, educação integral não significa apenas “mais tempo na escola” nem um acúmulo de projetos desconectados da realidade da sala de aula. Na prática, a Educação Integral propõe algo mais profundo: formar o estudante em suas múltiplas dimensões intelectual, social, emocional, cultural e ética, preparando-o para a vida em sociedade.
Diante disso, o professor ocupa um papel central nesse processo, como mediador, referência e construtor de experiências significativas.
O que é Educação Integral na escola pública?
A Educação Integral está prevista em documentos fundamentais da educação brasileira, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as Diretrizes Curriculares Nacionais e o próprio Plano Nacional de Educação (PNE). Ela parte do princípio de que aprender não se resume à aquisição de conhecimentos acadêmicos, mas envolve também o desenvolvimento de valores, atitudes, habilidades e competências necessárias para a vida em comunidade.
No contexto da escola pública, a Educação Integral reconhece que a escola é, muitas vezes, o principal espaço de acesso à cultura, à convivência e à construção de projetos de vida. Por isso, ela precisa oferecer experiências que dialoguem com a realidade dos estudantes, respeitando seus territórios, histórias e saberes.
Educação Integral não é apenas ampliação da jornada escolar
Um erro comum que muitos pais e responsáveis têm em relação à Educação Integral é associá-la exclusivamente à escola de tempo integral. Embora a ampliação da jornada possa favorecer experiências mais diversificadas, educação integral é, acima de tudo, uma concepção pedagógica, que pode e deve estar presente até mesmo em escolas de turno parcial.
Quando o professor planeja aulas que estimulam o pensamento crítico, o diálogo, a cooperação e a autonomia, ele já está colocando a Educação Integral em prática. O foco não está na quantidade de atividades, mas na qualidade das experiências de aprendizagem.
Competências para a vida: o que a escola ajuda a construir?
A BNCC define competências gerais que orientam a Educação Integral e ajudam a compreender como a escola forma sujeitos para além do conteúdo. Entre elas, destacam-se competências relacionadas à comunicação, ao pensamento crítico, à empatia, à responsabilidade, à autonomia e à participação social.
No cotidiano da escola pública, essas competências são desenvolvidas em situações concretas: no trabalho em grupo, na resolução de conflitos, na participação em projetos coletivos, na escuta do outro e no enfrentamento de desafios reais.

Qual o papel do professor na Educação Integral?
O professor é peça-chave na consolidação da Educação Integral. Mais do que transmissor de conteúdos, ele é mediador de experiências, organizador de contextos de aprendizagem e referência ética para os estudantes.
Na escola pública, esse papel ganha ainda mais relevância. Isso porque, o professor lida diariamente com turmas diversas, desafios sociais complexos e múltiplas realidades.
Por isso, práticas simples, como valorizar a participação dos alunos, promover debates, incentivar a escuta e propor atividades colaborativas, têm grande impacto na formação integral. Lembre-se que a Educação Integral não exige que o professor seja um “faz tudo”, mas é importante que o docente faça escolhas pedagógicas conscientes, alinhadas ao desenvolvimento integral dos estudantes.
Projetos interdisciplinares e Educação Integral
A Educação Integral se fortalece quando a escola aposta em práticas interdisciplinares e projetos que conectam o conhecimento escolar à realidade dos estudantes. Projetos de leitura, ações comunitárias, atividades culturais e feiras de ciências, por exemplo, são estratégias possíveis na escola pública.
Essas práticas ajudam o aluno a entender melhor o sentido do que aprendem, desenvolvendo competências como investigação, criatividade, colaboração e responsabilidade social. Para o professor, os projetos também representam oportunidades de trabalho coletivo e de ressignificação do currículo.
O objetivo final da Educação Integral é para além da sala de aula
A Educação Integral reafirma o papel da escola pública como espaço de formação humana, social e cidadã. Ao formar competências para a vida toda, a escola contribui para que os estudantes desenvolvam conhecimento, valores e atitudes que os acompanharão em diferentes contextos.
Para o professor da escola pública, a Educação Integral é uma forma de olhar para a prática pedagógica com mais sentido e intencionalidade. Cada aula, projeto e relação construída no cotidiano escolar são oportunidades de formar sujeitos mais autônomos, críticos e preparados para viver em sociedade.

