Estamos próximos da premiação do Oscar 2026 e, como ocorre anualmente, a categoria de animação reúne produções que podem ser analisadas sob uma perspectiva pedagógica. O cinema, quando intencionalmente planejado e articulado ao currículo, configura-se como um recurso didático potente para o desenvolvimento das Competências Gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), principalmente no que se refere ao pensamento crítico, à argumentação, ao repertório cultural, à empatia e à responsabilidade.
Nesta edição, selecionamos três dos cinco longas-metragens indicados que apresentam potencial para o trabalho em sala de aula, considerando sua pertinência temática e as possibilidades de articulação com os objetivos de aprendizagem da educação básica.
3 animações indicadas ao Oscar 2026 para serem trabalhadas em sala de aula
1 – A Pequena Amélie — A Metafísica dos Tubos
Baseada no livro autobiográfico “A Metafísica dos Tubos”, de Amélie Nothomb, a animação retrata os primeiros anos de vida de uma menina belga nascida no Japão. Nos dois primeiros anos, a personagem apresenta comportamento introspectivo e ausência aparente de reações emocionais, mobilizando reflexões sobre identidade, pertencimento e construção da consciência.
O enredo ganha centralidade quando a protagonista vivencia uma experiência sensorial marcante (ao provar chocolate pela primeira vez), que simboliza seu processo de despertar para as emoções, para a percepção do outro e para o mundo que a cerca. A narrativa também explora vínculos afetivos e tensões nas relações interpessoais, elementos fundamentais na formação infantil.
Embora trate de questões complexas, o filme apresenta linguagem estética delicada e contemplativa, favorecendo abordagens pedagógicas voltadas à construção da identidade e ao reconhecimento das emoções.
Indicação de segmento: Educação Infantil
A obra dialoga diretamente com os campos de experiências da BNCC, especialmente “O eu, o outro e o nós” e “Escuta, fala, pensamento e imaginação”. O processo de “despertar” da protagonista pode ser associado ao desenvolvimento da autonomia e da consciência emocional, aspectos centrais nessa etapa da educação básica.
A cena relacionada à experiência sensorial pode ser utilizada em projetos que envolvam exploração de sabores, texturas, sons e cores, promovendo aprendizagens significativas por meio da vivência concreta e da mediação intencional do professor.
Além disso, o percurso da personagem na expressão de sentimentos (como alegria, frustração e tristeza) possibilita o trabalho sistemático com educação socioemocional, respeitando a faixa etária e promovendo o desenvolvimento integral da criança.
Sugestão de atividade prática
O professor pode organizar uma sequência didática voltada à exploração sensorial. Cada criança pode compartilhar, por meio de relato oral ou registro gráfico, uma experiência que tenha despertado uma nova sensação ou emoção.
A atividade pode ser articulada ao campo de experiência “O eu, o outro e o nós”, favorecendo a escuta ativa, o respeito às diferenças e a ampliação do repertório emocional do grupo.

2 – Zootopia 2
Depois de quase uma década do lançamento do primeiro filme, a sequência de Zootopia chega como o principal sucesso dos estúdios Disney em 2025. Desta vez, a história acompanha os agora parceiros oficiais do departamento de polícia, a coelha Judy Hopps e a raposa Nick Wilde, enfrentando um novo e complexo desafio: a integração dos répteis na sociedade dos mamíferos.
A cidade, que está dividida sobre o tema, fica com os ânimos exaltados após a chegada de um misterioso personagem, a cobra Gary, que tem todas as características de um vilão clássico — esta é uma das principais lições de moral do filme.
Ao longo do filme, Gary prova que não é o verdadeiro vilão, tornando-se um improvável aliado dos protagonistas. Na verdade, o grande inimigo é uma organização que tenta provar que répteis e mamíferos jamais poderão conviver devido à diferença da natureza.
Indicação de segmento: Ensino Fundamental – Anos Iniciais
A obra possibilita o trabalho com competências gerais da BNCC, como Argumentação, Empatia e Cooperação e Responsabilidade e Cidadania. A narrativa pode ser utilizada para discutir preconceitos e a importância de analisar informações com criticidade antes de formular juízos.
Também é possível articular o filme às habilidades de Língua Portuguesa, por meio de atividades de interpretação, análise de personagens e produção de textos opinativos, além de estabelecer conexões com História e Ensino Religioso, ao tratar de valores e convivência social.
Sugestão de atividade prática
Dividir a turma em grupos e propor a elaboração de um “Distrito Inclusivo”, no qual diferentes perfis possam conviver harmoniosamente. Cada grupo deverá estabelecer três regras de convivência fundamentadas em princípios de respeito, equidade e responsabilidade coletiva.
A atividade estimula o trabalho colaborativo e a reflexão sobre normas sociais, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico e da cultura de paz no ambiente escolar.
3 – Guerreiras do K-Pop
O favorito ao Oscar de melhor animação, o filme Guerreiras do K-Pop mistura tudo o que os jovens mais gostam em produções do tipo: cores vivas, ação sobrenatural e músicas que são virais no TikTok. Apesar de ter um enredo simples, que segue a fórmula da Jornada do Herói, o filme é perfeito para discutir temas como cultura pop, trabalho em equipe e identidade.
A história gira em torno de um grupo feminino de K-Pop de renome mundial, cujas integrantes possuem um segredo: elas fazem parte de uma linhagem ancestral de caçadoras de demônios. Entre ensaios exaustivos, sessões de fotos e shows lotados, elas precisam caçar “espíritos malignos” que se alimentam da energia negativa e do estresse da sociedade moderna.
A grande reviravolta acontece quando descobrem que o CEO da sua gravadora está, na verdade, facilitando a entrada de demônios no mundo humano. O objetivo dele? Usar o medo das pessoas para torná-las dependentes do entretenimento e da “perfeição” que as idols vendem, sugando a energia vital dos fãs.
Indicação de segmento: Ensino Fundamental – Anos Finais
O filme favorece reflexões sobre cultura digital, influência das redes sociais e saúde emocional. Tais aspectos dialogam com competências da BNCC como Cultura Digital, Autoconhecimento e Autocuidado e Argumentação.
Além disso, a narrativa evidencia a importância do trabalho em equipe: quando há competição excessiva ou individualismo, o grupo enfraquece. Esse elemento pode ser explorado pedagogicamente para fortalecer práticas colaborativas e projetos interdisciplinares.
A presença de referências à cultura coreana também possibilita ampliar o repertório cultural dos estudantes, promovendo o respeito à diversidade e o interesse por diferentes manifestações artísticas.
Sugestão de atividade prática
O professor pode propor que os estudantes identifiquem desafios presentes em seu cotidiano escolar, como conflitos interpessoais, desinformação ou uso inadequado das redes sociais, e desenvolvam, em grupo, uma proposta de enfrentamento.
A atividade pode resultar em diferentes produções: textos argumentativos, cartazes, vídeos ou apresentações orais. O foco deve estar na construção coletiva de soluções e no protagonismo juvenil, fortalecendo competências socioemocionais e comunicativas.
Quer mais sugestões de filmes para trabalhar em sala de aula?
No ano passado, também produzimos um artigo com as animações indicadas ao Oscar e estratégias para você trabalhá-las em sala de aula. Por isso, se você quiser ainda mais sugestões, recomendamos que acesse esse post, disponível no link abaixo:

