Crianças indígenas sorrindo em comunidade, representando diversidade cultural e identidade no dia dos povos indígenas no Brasil

Reconhecido oficialmente no calendário nacional desde 1943, o Dia dos Povos Indígenas vai além de uma data comemorativa. Trata-se de um marco importante para o reconhecimento da diversidade cultural, da contribuição histórica e dos direitos dos povos originários no Brasil, conforme assegurado, inclusive, pela Constituição Federal de 1988.

No contexto escolar, essa é uma oportunidade relevante para desenvolver práticas pedagógicas alinhadas à BNCC, articulando diferentes campos de conhecimento e promovendo valores essenciais, como respeito à diversidade, identidade cultural, compreensão histórica e pensamento crítico. Além disso, a data convida à reflexão sobre os processos históricos de marginalização, resistência e luta por direitos vivenciados pelos povos indígenas ao longo do tempo. Neste artigo, apresentamos orientações sobre a data e sugestões de como trabalhá-la em sala de aula.

O que é o Dia dos Povos Indígenas?

Celebrado anualmente no dia 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas é dedicado ao reconhecimento da diversidade cultural e da importância histórica dos povos originários do Brasil.

Mais do que um marco simbólico, a data evidencia o papel das comunidades indígenas na preservação ambiental, na produção de conhecimentos e na manutenção da pluralidade cultural, aspectos fundamentais para a sociedade contemporânea.

Dia do Índio ou Dia dos Povos Indígenas: qual o termo correto?

Durante décadas, a data foi conhecida como “Dia do Índio”. No entanto, desde 2022, a nomenclatura oficial passou a ser “Dia dos Povos Indígenas”, conforme estabelecido pela Lei nº 14.402/2022.

Essa mudança representa um avanço conceitual importante, ao reconhecer a diversidade dos povos originários. O termo “índio” possui caráter genérico e historicamente construído a partir da perspectiva colonial. Por isso, não contempla a pluralidade de etnias existentes no país. Já a expressão “Povos Indígenas” evidencia a existência de múltiplas culturas, línguas, formas de organização social e modos de vida. Além disso, o termo “indígena” refere-se àqueles que são originários de determinado território, reforçando a relação histórica e cultural com a terra.

Qual a origem do Dia dos Povos Indígenas?

A origem da data remonta ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 1940, no México. O encontro reuniu lideranças e representantes de diferentes países para discutir políticas públicas voltadas aos povos indígenas, em um contexto de construção de políticas indigenistas no continente americano.

Por que o Dia dos Povos Indígenas é celebrado em 19 de abril?

Inicialmente, as lideranças indígenas demonstraram resistência em participar do congresso, em função de receios relacionados à representação de suas demandas. Após o diálogo, passaram a integrar as discussões a partir do dia 19 de abril. Por esse motivo, a data foi instituída como um marco da participação política e da luta por direitos dos povos indígenas em todo o continente americano.

Atividades alinhadas à BNCC para você trabalhar o Dia dos Povos Indígenas em sala de aula

Antes de iniciar as atividades, é importante considerar os conhecimentos prévios dos estudantes. Perguntas como:  “Quais imagens sobre os povos indígenas vocês já conhecem?” e “De onde vêm essas ideias?” podem contribuir para identificar possíveis estereótipos e orientar o trabalho pedagógico.

Educação Infantil: O som e a natureza

Na Educação Infantil, é comum a realização de atividades como fantasias e pinturas faciais. No entanto, é possível ampliar essa abordagem com propostas que promovam experiências mais significativas, centradas na escuta, na sensorialidade e na relação entre cultura e natureza.

Uma estratégia pedagógica consiste na realização de rodas de escuta com músicas de grupos como o Mundo Bita ou o grupo Brincante. Após a escuta, as crianças podem confeccionar instrumentos com sementes e materiais recicláveis, explorando, de forma contextualizada, como os povos indígenas utilizam recursos naturais de maneira sustentável para a produção artística.

Essa proposta contribui para o desenvolvimento de habilidades previstas na BNCC, especialmente aquelas relacionadas à valorização e ao respeito por diferentes culturas e modos de vida.

Instrumentos musicais como tambores, pandeiro e maracas utilizados em atividades culturais e educativas na escola para o dia dos povos indígenas.
Por meio de instrumentos e atividades rítmicas, as crianças exploram sons, desenvolvem coordenação, criatividade e ampliam sua conexão com diferentes culturas.

Ensino Fundamental Anos Iniciais: caça ao tesouro linguístico

Você sabia que muitos nomes de cidades, bairros, alimentos e animais presentes no cotidiano brasileiro têm origem nas línguas Tupi e Guarani, como Anhangabaú, abacaxi, Morumbi, jabuti, Ipanema, pipoca, guaraná e Maracanã?

Essa riqueza linguística pode ser explorada em sala de aula por meio de atividades investigativas. Uma proposta é organizar uma “caça ao tesouro” com palavras de origem indígena, convidando os estudantes a pesquisarem seus significados e contextos de uso.

O objetivo é evidenciar que a cultura dos povos originários não está restrita a um contexto específico ou ao passado, mas permanece presente na língua e na identidade cultural brasileira, tanto em espaços urbanos quanto rurais.

Essa atividade também possibilita o desenvolvimento de habilidades previstas na BNCC, especialmente aquelas relacionadas ao reconhecimento das manifestações culturais e à valorização dos costumes locais e regionais.

Ensino Fundamental Anos Finais: a cosmogonia dos povos indígenas

Nos Anos Finais, é possível aprofundar o estudo a partir do interesse dos estudantes por super-heróis e mitologias, utilizando esse repertório como ponto de partida para a abordagem das cosmovisões indígenas.

Nesse contexto, a proposta é superar a visão reducionista associada ao termo “folclore”, frequentemente entendido como algo fictício ou restrito ao passado, e trabalhar os conceitos de mitologia e cosmogonia como sistemas complexos de conhecimento, que expressam crenças, valores e formas de organização social dos povos. Essa abordagem permite evidenciar que as narrativas indígenas possuem a mesma relevância e complexidade que outras tradições amplamente difundidas, como as mitologias grega, nórdica e egípcia.

O ponto de partida pode ser uma pesquisa investigativa focada em descobrir a “origem do mundo” de acordo com etnias específicas, como:

  • Yanomami: a queda do céu e a origem da floresta.
  • Guarani: a criação do mundo por Nhanderu.
  • Bakairi: a saga dos gêmeos que trouxeram o sol e a lua.
  • Munduruku: as histórias de criação de Karosakaybu.

Peça que os alunos comparem essas narrativas com mitologias mais difundidas na cultura ocidenta e faça provocações como: “Por que chamamos as histórias de Zeus de ‘mitologia’ e as histórias de Guaraci de ‘folclore’?” Essa provocação ajuda a desconstruir o preconceito linguístico e cultural, tratando a espiritualidade indígena com o mesmo peso acadêmico dado às civilizações europeias.

Conheça mais estratégias para valorizar a cultura brasileira

No blog do Sistema Etapa, publicamos periodicamente artigos com estratégias práticas que valorizam a cultura brasileira, alinhadas às diretrizes da BNCC. Para aprofundar o tema, recomendamos a leitura do artigo abaixo, que destaca o legado de figuras femininas fundamentais para a história nacional.

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