As escolas brasileiras, desde 2020, estão realizando aulas remotas para se adaptar a esse cenário que estamos vivendo com a covid-19. No contexto do coronavírus, aulas remotas são atividades de ensino, seja infantil, fundamental, médio ou superior, mediadas pela tecnologia, oferecendo a continuidade da escolarização que se orienta pelo plano de aula da educação presencial.

Devido a impossibilidade de realizar os encontros presenciais entre professores e alunos, as aulas remotas surgem como alternativa para reduzir os impactos negativos no processo de aprendizagem previsto na BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Com as aulas suspensas, muitas escolas, educadores, pais e alunos tiveram que passar do ensino presencial para o ensino a distância (EaD) ou remoto, sem muito tempo de preparação, o que foi um desafio bem grande para todos e, principalmente, para o professor.

O impacto da pandemia na aprendizagem 

A preocupação maior é que agora, depois de quase um ano ou mais, vivendo a realidade do ensino a distância, percebemos que a solução para aquele momento passageiro em 2020 se tornou a realidade também para o ano de 2021, sem conseguir visualizar um fim definitivo para a pandemia.

Segundo o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antônio Guterres, o mundo encara uma “catástrofe geracional” devido ao fechamento das escolas em meio à pandemia de coronavírus. Para ele, colocar os alunos de volta às salas de aula precisa ser “prioridade”, logo que a covid-19 estiver sob controle.

Diante dessa fala, percebe-se que os resultados do processo de aprendizagem não estão satisfatórios devido a diversos fatores, como: acessibilidade à internet, pais analfabetos, falta energia elétrica no campo, falta de acesso à eletroeletrônicos (celular, tablet ou computador) nas casas, falta de tempo dos pais, falta da interação com o professor e com a própria família, recursos pedagógicos, materiais de auxílio adequados, entre outros.

Como será a volta às aulas pós-covid-19? 

De todos os fatores citados, é importante ressaltar dois que, na minha visão, são os mais importantes para que a aprendizagem aconteça de forma significativa. Digo mais importantes pois, sem eles, é impossível termos resultados mais satisfatórios do que já tivemos até aqui e que foram observados nas salas de aula.

São eles: a interação professor x aluno/família e interação família x aluno. Segundo Wallon, o desenvolvimento da pessoa completa é integrado ao meio em que está imersa com seus aspectos afetivo, cognitivo e motor.

“jamais pude dissociar o biológico e o social, não porque o creia redutíveis entre si, mas porque, eles me parecem tão e estreitamente complementares, desde o nascimento, que a vida psíquica só pode ser encarada tendo em vista suas relações recíprocas.” ( Wallon 1951)

Assim, em Wallon, a cognição, como a afetividade, brota das entranhas orgânicas e vai adquirindo complexidade e diferenciação na relação dialética com o social. Então, se o cognitivo está alinhado com a afetividade e esta é conquistada pela interação, como desenvolver a afetividade e a interação com o aluno e familiares no contexto de isolamento social para termos uma aprendizagem ainda mais significativa?

Confira o webinar “Desenvolvendo afetividade e interação com o aluno e a família nos encontros online” apresentado por Cris Leite. Clique aqui.

O ensino a distância e suas adversidades 

Segundo o mestre e professor, Geraldo Peçanha de Almeida, “ O ensino remoto tem foco no conteúdo, ou seja, se está ligado ao conteúdo, é porque é preciso de um professor lado a lado do aluno”. Mas não foi o que aconteceu. Vimos o ensino escolar sair das escolas e ir para a casa dos alunos, sem o auxílio do profissional de educação.

E o que fazer se os pais não estão preparados para dar a aula e não dominam o conteúdo? No ensino EaD, o foco permaneceu no conteúdo, sem alteração. Enquanto nós não nos libertarmos do velho e não nos abrirmos para o novo, a educação, mesmo que remotamente provisória, não vai acontecer de forma integral como nos pede a BNCC.

É triste ver colegas professores que esperam a retomada presencial das aulas para tentar recuperar o tempo perdido na suspensão habitual do ensino, para que assim, voltem à sua tendenciosa prática pedagógica e poder respirar aliviado. Isso não vai acontecer. Mesmo com o fim da pandemia, ao retornarmos para a sala de aula, as tecnologias irão conosco, o que já era previsto pelo Ministério da Educação (Mec).

Enquanto o isolamento não termina, não podemos cruzar os nossos braços e continuar apenas com as atividades remotas, mesmo que estas tenham sido fundamentais para atender no início da pandemia. Hoje, as atividades remotas já estão sendo vistas por estudiosos e especialistas da área mais como entretenimento do que como forma de aprendizado significativo, isto devido a falta de interação e vínculo afetivo.

Para Wallon, professores e alunos são mutuamente afetados no processo de formação, onde desenvolvimento cognitivo é, também, ampliação dos afetos e da capacidade de expressar sentimentos. O desafio do afeto é compartilhado entre todos os sujeitos, no ambiente escolar e familiar.

O novo processo de aprendizagem 

Enquanto educadores e/ou Gestores das Secretarias Municipais de Educação, devemos traçar estratégias próprias de acordo com a realidade e nível de aprendizado do aluno para que o ensino não seja só remoto, mas sim assuma um formato híbrido.

O ensino híbrido vem sendo considerado uma forte opção para as atividades educativas. Essa abordagem possibilita a combinação entre o ensino presencial e propostas de ensino online, agregando Educação à Tecnologia, que já estão inseridos em diversos aspectos da vida do estudante. Nessa modalidade, não necessariamente as aulas ocorrem em tempo real e são utilizados diversos recursos didáticos, tanto presenciais como online, com parte das ações necessitando da ajuda dos pais.

A sequência didática é uma estratégia que valoriza os conhecimentos prévios dos alunos. Isso auxilia os professores no trabalho com o currículo escolar, já que não terão que ensinar tudo o que o PPP (Projeto Político Pedagógico) propõe, mas aquilo que é mais crítico e difícil para os alunos compreenderem sobre um tema.  Essa estratégia também conversa com os princípios da BNCC sobre a progressão do conhecimento, a partir de proposição de atividades diversificadas e  cada vez mais desafiadoras e complexas

Outro argumento que demonstra a importância da sequência didática na educação é que as atividades podem ajudar os alunos a desenvolverem diversas habilidades e competências, além de resolver problemas de aprendizado detectados pelo professor.

Em resumo, a sequência didática dá ao aluno um papel mais ativo no seu processo de aprendizagem, já que toda a dinâmica dessa estratégia é desenvolvida a partir da sua participação. Essa característica é essencial na construção da percepção do estudante enquanto cidadão em formação, pois entende desde cedo que tem responsabilidade com relação a sua educação e ao seu futuro. 

Por fim, é importante ressaltar a importância da avaliação final da sequência didática. O professor deve anotar tudo o que for possível para que possa analisar ao final da sequência o que pode ser melhorado dali em diante para que os resultados obtidos sejam cada vez melhores. 

É preciso deixar então de ter o conteúdo como FOCO e passar a ter um olhar multifocal no aluno e na sua família. A família não está dando conta de ser família, de ajudar seu filho a se desenvolver, isso porque não há vínculo familiar, não há interação, não há afetividade.

Por isso que a família sofre, pois deixou esse vínculo e a responsabilidade do ensino todo sobre a ESCOLA.

Agora, nosso desafio como educadores e profissionais da educação é ainda maior, já que precisamos criar vínculos afetivos com nossos alunos e com sua família, e ensinar essa família a interagir entre si, a serem afetuosos um com o outro, pois, mais do que nunca, precisamos, principalmente na Educação Básica, do apoio familiar no processo de aprendizagem.

Assim, através dessa prática pedagógica, com o ensino híbrido e com as competências socioemocionais, nós educadores estaremos criando um vínculo afetivo com nossos alunos/pais, mesmo à distância, porque o vínculo e o afeto se dão quando de fato você se responsabiliza pelo aprendizado do aluno. Só assim a família compreenderá o seu papel, que não mudou, só estava invertido.

Referências Bibliográficas

DA REUTERS, N. Michelle: Secretário-geral da ONU alerta para ‘catástrofe geracional’ na educação mundial.CNN Brasil, Internacional, 04 de agosto de 2.020.

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