Psicomotricidade e autismo: Qual a relação?

Muitas intervenções, terapias e tratamentos já existentes para auxiliar pessoas com autismo, ainda hoje são estudadas e melhoradas com o avanço da tecnologia. A atuação da psicomotricidade no autismo é importante para garantir uma melhor qualidade de vida para crianças e adolescentes. Vamos entender mais sobre Psicomotricidade e autismo e saber qual a relação entre eles.

Transtorno do Espectro Autista (TEA), o autismo, é um distúrbio no neurodesenvolvimento que influencia na comunicação, interação social e é caracterizado por comportamento atípico do indivíduo. O diagnóstico do autismo é feito clinicamente, após os sintomas aparecerem sempre antes dos 3 anos de idade, por volta dos 12 e 18 meses de vida. A preocupação começa conforme a linguagem não se desenvolve durante esse período.

Ainda não há marcadores biológicos e exames específicos para o diagnóstico do autismo, porém existem exames essenciais, juntamente com uma avaliação clínica que auxiliam no diagnóstico, são eles, o teste do pezinho, ressonância magnética nuclear (RNM), eletroencefalograma (EEG), audiometria, testes neuropsicológicos. Também há dois manuais diagnósticos internacionais, o CID (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM (Diagnostic and Statistical Manual – Manual de Diagnóstico e Estatística). No Brasil, é utilizado o CID–10 pelo SUS (Sistema Único de Saúde), elaborado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O número 10 da sigla significa que já houveram 10 atualizações e revisões.

Os sintomas mais comuns do autismo incluem atrasos na fala, dificuldade em contato visual, movimentos repetitivos, dificuldade de concentração, disfunções motoras, falta de autonomia para afazeres do dia a dia, como se vestir, sensibilidade auditiva, apego e resistência a mudanças na rotina.

Após o diagnóstico, é importante buscar um tratamento e intervenções para promover o desenvolvimento social e cognitivo e uma melhor qualidade de vida. Existem diversos tratamentos para o autismo e que são aplicados de maneira individualizada, levando em consideração as particularidades de cada indivíduo. Um desses tratamentos se dá por meio da psicomotricidade.

A psicomotricidade é uma ciência que estuda o comportamento humano em relação ao movimento com base nos aspectos emocionais, físicos e cognitivos, com o objetivo de melhorar e desenvolver essas habilidades motoras, por meio de atividades. Esse método é indicado para pessoas com autismo, especialmente crianças e adolescentes.

Segundo a Associação Brasileira de Psicomotricidade, “Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização”.

O termo foi nomeado em 1870, com o objetivo de tentar explicar disfunções graves no cérebro sem que ele esteja lesionado ou sem uma lesão evidentemente localizada.

A psicomotricidade tem como objetivo traçar estratégias que favoreçam o desenvolvimento cognitivo, motor e socioafetivo.

Além de atuar de modo a educar e reeducar o corpo e a mente, a psicomotricidade também atua de forma preventiva no progresso de crianças ao longo de seu desenvolvimento. Quando aplicada em crianças com autismo, a psicomotricidade ajuda a melhorar o desempenho no dia a dia em casa e na escola, pois auxilia as crianças a adquirirem habilidades que não conseguiram ou tiveram dificuldade em desenvolver.

É importante inserir a psicomotricidade com a ajuda de um profissional já na primeira infância da criança com autismo (até os sete anos de idade), aplicando atividades de acordo com a idade mental da criança, de maneira individualizada. Atividades como desenhar, pintar, recortar e colar e brincadeiras lúdicas, devem ser estimuladas tanto na escola quanto em casa. Assim a criança com autismo pode descobrir a si mesma, seu corpo, suas emoções e seus sentidos, melhorando sua interação com as pessoas ao seu redor.

Na educação infantil, a psicomotricidade é uma prática pedagógica e psicológica que pode ser aplicada na educação física, auxiliando no desenvolvimento dos movimentos. Os elementos básicos da psicomotricidade na educação infantil são:

  • Esquema corporal:
    é a consciência do indivíduo sobre o seu próprio corpo, permitindo o relacionamento nos ambientes, com objetos e com outras pessoas;
  • Imagem corporal:
    imagem inconsciente que o indivíduo tem do seu corpo, a partir do momento em que o corpo começa a se desenvolver;
  • Tônus:
    equilíbrio estático, dinâmico, postura e coordenação, com o corpo parado ou em movimento;
  • Motricidade grossa:
    atividades que necessitam dos músculos maiores;
  • Motricidade fina:
    atividades mais delicadas e que utiliza músculos menores;
  • Organização do espaço/tempo:
    movimentos adequados dentro dos espaços. Para isso, é necessário que o indivíduo adquira noção das direções;
  • Lateralidade:
    é a predominância motora de um dos lados do corpo nos movimentos.

O professor de educação infantil pode utilizar atividades psicomotoras em sala de aula para alunos com autismo. As atividades devem ser aplicadas com base no estímulo corporal da criança. Também, há certificados de qualificação profissional para ajudar professores na educação de crianças com autismo.

A avaliação da psicomotricidade na educação infantil se dá por meio de testes psicomotores, e a escolha do teste a ser aplicado deve se basear nas análises dos educadores.

No site do Educa Mundo, contém algumas atividades psicomotoras para a educação infantil e você confere também informações sobre as qualificações profissionais. Clique aqui e confira.

A atuação da psicomotricidade e o autismo tem relação devido às principais características que as pessoas com autismo apresentam: dificuldades na coordenação motora e Transtorno do Processamento Sensorial. Trabalhar na autopercepção e no relacionamento entre o indivíduo e o ambiente ajudam no melhor desempenho da aplicação da psicomotricidade em pessoas com autismo.

A psicomotricidade ajuda nas seguintes condições de pessoas com autismo:

  • Ausência da percepção do espaço;
  • Descontrole dos impulsos nas crianças;
  • Confusão ao se expressar.

As principais atividades da psicomotricidade ajudam no desenvolvimento das habilidades de coordenação motora grossas e finas de crianças com autismo. São essas:

Coordenação motora grossa:

  • Pular;
  • Correr;
  • Subir e descer escadas;
  • Rolar;
  • Andar para um lado e para o outro;
  • Brincadeiras ou atividades esportivas que necessitam dos músculos.

Coordenação motora fina:

  • Pintar;
  • Desenhar;
  • Manusear objetos pequenos e de precisão.

De que maneira a psicomotricidade ajuda a desenvolver ou melhorar essas habilidades?

  • Estimulando a coordenação motora levando em consideração a dificuldade em relação às habilidades motoras grossas e/ou finas;
  • Induzindo a capacidade de percepção pelo conhecimento dos movimentos e resposta corporal;
  • Motivando a criança com autismo na descoberta das suas expressões;
  • Estimulando a criatividade e as emoções;
  • Trabalhando com a comunicação para uma melhor interação social;
  • Estabelecendo limites, respeito e a consciência em relação ao ambiente e as outras pessoas;
  • Reforçando e valorizando a autoestima e a relação do indivíduo com si mesmo;
  • Desenvolvendo a capacidade sensorial;
  • Estimulando a confiança da criança.

A psicomotricidade apresenta diversos benefícios que ajudam a criança com autismo a se relacionar melhor em sociedade, auxiliando na comunicação como um todo, no raciocínio, estimulando o foco e a atenção, percepções, memórias visuais, auditivas, viso motoras, que é a memória onde se reproduz os movimentos dos segmentos corporais já experienciados anteriormente, além de ajudar nas trocas afetivas com as pessoas ao redor do indivíduo.

Também é importante estimular o contato visual, induzir comandos com a mudança do tom de voz e apresentar brinquedos que não possuam texturas que causem perturbação em crianças com autismo, como texturas moles e ásperas.

O melhor caminho para melhorar a condição de vida e a interação em sociedade do indivíduo com autismo é o tratamento continuado já na infância. E combinar a psicomotricidade junto a outras terapias com embasamento científico contribui no desenvolvimento das crianças com autismo, levando em consideração a individualidade de cada uma.

 

 

Referências:

www.ama.org.br

www.blog.matheustriliconeurologia.com.br

www.educamundo.com.br

www.genialcare.com.br/blog

www.institutoneurosaber.com.br

www.institutoneurosaber.com.br

www.mundoeducacao.uol.com.br

www.neuroconecta.com.br

www.psicomotricidade.com.br

www.psicomotricidade.com.br