O impacto do 5G na Educação Pública

As aulas presenciais estão retornando ao passo que a população vacinada aumenta; uma luz no fim do túnel para os alunos que dependiam da internet para realizar as atividades em casa. Mesmo em aulas presenciais, a tecnologia não fica (ou não deveria ficar) de fora da educação. Desde o surgimento da internet, é falado a respeito da importância da internet na educação. De acordo com Valente, em “As Tecnologias e as verdadeiras inovações na educação” (2013), a justificativa mais convincente do desenvolvimento das tecnologias foi a educação, pois possibilitam ao aluno alcançar e desenvolver novas competências e habilidades. Desde então, o sistema educacional de todos os países vem investindo na tecnologia. A cada avanço, são adaptados novos métodos; o último deles foi a internet 5G.

A quinta geração de internet móvel, mais conhecida como 5G, virou alvo de notícias nos últimos meses. A tecnologia promete ser mais rápida e mais estável, podendo conectar mais facilmente e simultaneamente celulares, carros e relógios, além de oferecer conexão mais ampla e estável para eletrodomésticos (como geladeiras) que já utilizam a Internet das Coisas.

De acordo com o chefe de inovação tecnológica da operadora TIM, Leonardo Capdeville, o 5G pode ser 100 vezes mais rápido do que o 4G. “Se fizermos uma analogia com o mundo real, 100 vezes mais rápido é a diferença de velocidade entre um ciclista de alta performance e um caça de guerra”, afirmou.

A velocidade e a estabilidade do 5G prometem ser uma revolução na internet móvel, tão importante para diversas tarefas hoje em dia, inclusive na educação, visto que amplia as possibilidades no processo de ensino-aprendizagem. 

Segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra: “O 5G permite uma série de aplicações, uma série de novas fronteiras sendo exploradas em todos os setores da economia. Então ele transborda, ele não é só algo do setor de telecomunicações, ele transborda para toda a economia brasileira. Desde o agronegócio, gestão de cidades inteligentes, com semáforos inteligentes, com iluminação inteligente, carros autônomos, também na área de saúde, com telemedicina, que é algo bastante interessante, especialmente para populações que residem em locais mais distantes, com dificuldade de acesso a especialidades médicas, que vão poder ser atendidos com o mesmo nível de qualidade de uma grande capital. Temos também a parte de educação, muitas aplicações interessantes na área de educação”.

Dentre as vinte metas estabelecidas, as TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) estão presentes no Plano Nacional de Educação (PNE), que tem vigência de 2014 a 2024, de acordo com a Lei Nº 13.005/2014, como a garantia de que as escolas tenham acesso à internet. Além deste documento, o 5º item da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) determina que:

“Utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas.”

Isto é, a inclusão digital é considerada como um direito e como uma ferramenta necessária para garantir direitos de cidadãos pelo Governo Federal.

Um estudo aplicado pelo MEC (Ministério da Educação) em 2017, realizado com 30 mil escolas, concluiu que 65,3% das escolas brasileiras não possuem velocidade suficiente. Para um ensino-aprendizado eficaz com auxílio da internet, é importante que, além da velocidade, os alunos e professores tenham tempo suficiente e qualidade no acesso. As TDICs dependem de frequentes atualizações, ou seja, com a chegada do 5G, é esperado que a qualidade da internet nas escolas seja melhorada.

No leilão em que foi ofertado faixas de radiofrequência 26 gigahertz (GHz) — a qual trafega o 5G — às empresas de telefonia, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) definiu uma contrapartida às operadoras ganhadoras em prol do ensino público brasileiro: as operadoras ganhadoras serão responsáveis pela conectividade das escolas de educação básica.

De acordo com o presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, o leilão reservou duas faixas, sendo que uma delas é destinada aos projetos de conectividade digital em escolas públicas. 

As ações serão supervisionadas por um órgão criado para este intuito, a Entidade Administradora da Conectividade das Escolas (EACE), que será responsável por administrar os compromissos e atuará em conjunto ao Grupo de Acompanhamento de Custeio a Projetos de Conectividade das Escolas (GAPE), o qual terá projetos definidos pelo MEC e coordenado pela Anatel.

De acordo com o Censo Escolar de 2020, apenas 4% das escolas tinham padrões de velocidade internacionais, 39% não tinham banda larga e 25% não tinham acesso à internet. Com o 5G, este cenário poderá mudar. Será possível levar às escolas públicas uma conexão de alta velocidade e estável. 

 

Segundo o superintendente de Inovação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, “a facilidade de transmissão e a latência [tempo de reação] baixa do 5G vão facilitar muito o trabalho [do sistema educacional]”. Paulo Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, completou que, além de implementar a tecnologia, é de suma importância interagir com ela, de forma que concretize os possíveis postos de trabalho e oportunidades de negócio que possam surgir. De acordo com a Anatel, o prazo de implementação para cidades com mais de 30 mil habitantes é de julho de 2029. Por isso, os alunos que tiverem acesso a esta tecnologia hoje, podem ter oportunidades de emprego ao final da implantação, quando ingressarem no mercado de trabalho.

Cristieni Castilhos, gerente de conectividade da Fundação Lemann, afirma ainda que: “É essencial que todas as escolas estejam conectadas, principalmente agora que a pandemia trouxe ainda mais defasagem no aprendizado dos estudantes.  A tecnologia permite um ensino personalizado aos estudantes para que as escolas deem conta de recuperar o déficit educacional. Também poderá ser uma grande aliada na implementação das diferentes trilhas do Novo Ensino Médio em todos os cantos do país nos próximos anos”.

Alguns exemplos de como a tecnologia 5G poderá impactar a educação brasileira:

  • Maior acessibilidade

Atualmente, mais de 30 mil escolas por todo o país (isto é, 25% das escolas públicas) não possuem conexão à internet. Com a nova tecnologia, é esperado que esse cenário melhore, levando a internet para mais escolas.

  • Otimização das aulas híbridas

Melhorias audiovisuais nas videoconferências, devido ao aumento da velocidade de conexão.

  • Maior qualidade nas áreas rurais

Internet mais rápida para as áreas rurais, visto a maior taxa de transmissão de dados.

  • Maior utilização de recursos multimídia

Acesso dos estudantes a arquivos em alta definição (como filmes e áudios) em tempo real,.

  • Acesso a outras tecnologias

Com a eficiência do 5G, acesso a tecnologias mais avançadas que facilitem e aprofundem o aprendizado, como a realidade virtual, realidade aumentada e inteligência artificial.

  • Flexibilidade

Com a estabilidade e velocidade do 5G, os professores poderão dar aulas à distância de “qualquer lugar” (desde que haja cobertura) e poderão utilizar diversos recursos multimídia.

Destarte, o 5G poderá impactar positivamente no âmbito educacional, inclusive nas escolas públicas, possibilitando um acesso mais rápido à internet e permitindo que escolas e estudantes que antes não tinham conexão de qualidade possam agora usufruir de todos os benefícios trazidos pela evolução tecnológica.

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