O avanço da tecnologia provocou uma série de transformações em nossa sociedade e, consequentemente, a maneira como a enxergamos. Muitos setores sofreram modificações, inclusive a educação. Hoje, sabemos que os modelos tradicionais de ensino, muitas vezes, não são mais tão efetivos quanto antes. Por isso, as metodologias ativas vêm sendo cada vez mais importantes no processo de ensino aprendizagem.

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), “um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica(…)” (BNCC, p.7), defende as metodologias ativas de ensino para estudantes do ensino infantil e fundamental.

As metodologias ativas vêm como alternativa para inovar o ensino e  tornar o aluno o protagonista do seu aprendizado, sendo um sujeito ativo e o professor, com seu papel importante e fundamental, fornece as ferramentas para que o aluno possa adquirir autonomia e buscar conhecimento. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, o educador se torna o mediador do conhecimento, fazendo a “condução da formação de competências e a colaboração no processo para que o estudante aprenda a aprender”.

William Glasser, psiquiatra norte-americano, estudou sobre saúde mental, comportamento humano e educação e elaborou um estudo chamado Pirâmide Glasser ou Pirâmide de Aprendizagem. Seus estudos traziam a visão de um ensino onde os estudantes fossem mais ativos e autônomos na busca por conhecimento.

A teoria da Pirâmide de Glasser afirma que há maneiras diferentes de assimilar o conteúdo que está sendo estudado e que uma aprendizagem ativa é mais efetiva.

A Pirâmide se apresenta dessa maneira:

Aprendizagem passiva:

  • Ler – 10%
  • Escutar – 20%
  • Observar – 30%
  • Ver e ouvir – 50%

Aprendizagem ativa:

  • Debater – 70%
  • Praticar – 80%
  • Ensinar – 95%

Com as metodologias ativas, as aulas são mais engajadas, tendo a participação de todos e uma troca maior de conhecimentos, fazendo com que professor e estudante aprendam um com o outro.

Existem diversos exemplos de metodologias ativas e que podem ser aplicadas pelo professor em sala de aula. São elas:

  •  Sala de aula invertida (Flipped classroom): Essa metodologia consiste em estimular o estudante a pesquisar, ler, realizar atividades e tomar nota de suas dúvidas acerca do conteúdo estudado em casa. Dessa maneira, o aluno já se prepara em relação ao conteúdo. Na sala de aula, o professor auxiliará nas dúvidas que surgiram;
  • Gamificação: “O uso de jogos como meio para a aprendizagem é, sem dúvida, uma grande iniciativa para o desenvolvimento dessas relevantes competências para a vida do aprendiz.” (BNCC). Os jogos ajudam na aprendizagem e fazem com que os estudantes assimilem os conteúdos e adquiram conhecimento de maneira rápida e leve. Eles estimulam o raciocínio, a criatividade e desenvolvem habilidades. Podem ser utilizados aplicativos de jogos educativos, jogos de tabuleiro ou, até mesmo, os próprios estudantes. Com auxílio do professor, podem criar jogos em sala de aula, elaborando suas próprias regras de jogo;
  • Aprendizagem por projetos: Os estudantes são incentivados ao desenvolvimento de competências e pensamento crítico. É elaborado um tema de escolha dos estudantes ou do professor e, logo após essa escolha, começa a busca por informações com orientação. Dessa maneira, será desenvolvida a autonomia pela busca de conhecimento e o aprendizado na utilização de tecnologias. A tecnologia fornece diversas alternativas e caminhos para o aperfeiçoamento da aprendizagem, pois traz dinamismo, os alunos possuem vários recursos à sua disposição e estão inseridos nessa realidade, sendo assim, a tecnologia ajuda na aproximação do conhecimento com os alunos;
  • Metodologia baseada em problemas – PBL (Problem Based Learning): O professor estimula a curiosidade e a busca por respostas por meio da problematização de algum assunto, auxiliando no desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes, fomentando diálogos e discussões em sala de aula;
  • Estudo de caso: É apresentado uma situação real, onde os estudantes devem refletir e debater em sala de aula, apresentando alternativas para solucionar o problema apresentado;
  • Rotação por estações de aprendizagem: Essa metodologia consiste na divisão por etapas do conteúdo a ser desenvolvido em sala de aula. Antes de ser realizada a atividade prática, o professor insere o conteúdo aos estudantes, de diversas maneiras, primeiro lendo e depois explicando. Também podem ser utilizados recursos visuais, como vídeos educativos e filmes. Depois que o conteúdo foi apresentado e explicado, os estudantes podem realizar atividades práticas sobre o assunto.
  • Aprendizagem em pares: Os estudantes formam pares com seus colegas de classe para o estudo de algum conteúdo, para interagirem entre si e trocarem conhecimentos;
  • Seminários e discussões: Os estudantes assistem a seminários de diversos temas e o professor fomenta discussões sobre esses temas. Dessa maneira, desenvolverão poder de argumentação, raciocínio e pensamento crítico;
  • Storytelling: Storytelling é uma narrativa. Em sala de aula, o professor pode elaborar uma narrativa baseada no conteúdo estudado, tornando-o mais atrativo para capturar a atenção dos estudantes ao conteúdo, trazendo, também, uma certa identificação, pois dependendo do tema, a narrativa pode se usar de elementos reais do dia a dia.

O psicólogo Lev Vygotsky desenvolveu diversos estudos sobre aprendizagem e em sua teoria defendia uma participação ativa e a interação social no processo de aprendizagem. Ele denominava esse processo como “Zona de desenvolvimento proximal” (ZDP) entre “zona de desenvolvimento real” e “zona de desenvolvimento potencial”. Segundo Vygotsky, a “zona de desenvolvimento real” era a que o indivíduo conseguia se desenvolver sozinho, de maneira autônoma, e a “zona de desenvolvimento potencial” era o conhecimento em potencial, que ele poderia aprender baseado no conhecimento que já possui, com auxílio de outra pessoa. Portanto, o objetivo é alcançar o conhecimento potencial por meio da interação com as outras pessoas, trocando conhecimentos e informações.

O papel do professor nas metodologias ativas é de mediador do conhecimento. Ele deve ensinar e orientar seus estudantes de maneira que eles consigam se desenvolver sem serem dependentes e estejam no centro de sua aprendizagem. Quando o ambiente de ensino se torna leve e com a participação e o engajamento de todos, o processo de aprendizagem ocorre de maneira efetiva e com qualidade.

“Para aprender ao longo da vida com autonomia, é preciso saber construir conhecimento, individualmente e de forma colaborativa. A construção do conhecimento está associada ao processo de acesso à informação e à sua significação subjetiva, ou seja, o aprendiz transforma a informação em algo que faça sentido para ele, a partir do ‘diálogo’ com seus conhecimentos prévios, suas emoções e sua maturidade cognitiva de processamento.” (BNCC)

As metodologias ativas transformam a aprendizagem, pois, com autonomia, os estudantes conseguem explorar maneiras diversas de trilhar seu próprio caminho em busca do conhecimento. 

 

Referências:

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

https://decriancaparacrianca.com.br/

https://blog.futureeducation.digital/

https://blog.flexge.com/metodologias-ativas-ensino-aprendizagem/

https://www.infoescola.com/

http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/